Saúde

Vacinas contra gripe e covid-19 reduzem risco de infarto e AVC

29 de setembro de 2025

As vacinas contra a gripe e a covid-19 desempenham um papel amplamente reconhecido na proteção da vida, já que evitam complicações respiratórias e reduzem o número de hospitalizações. As novas diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia, porém, ampliaram ainda mais essa perspectiva, ao demonstrar que, além de oferecer proteção contra os vírus que atacam as vias aéreas, manter a imunização em dia pode reduzir significativamente a ocorrência de eventos cardíacos fatais.

A adoção dessas novas diretrizes é sustentada por um conjunto robusto de evidências científicas. No Brasil, a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo reuniu estudos que embasam essa recomendação. O cardiologista Múcio Tavares de Oliveira Jr. e os infectologistas Renato Kfouri e Mônica Levi revisaram pesquisas internacionais que associam a vacinação contra vírus respiratórios à redução de complicações cardiovasculares.

Um dos trabalhos analisados acompanhou 5.000 pessoas diagnosticadas previamente com insuficiência cardíaca. Entre os vacinados contra a gripe, foi observada uma queda de 23% na mortalidade cardiovascular e de 24% nas hospitalizações por agravamento da doença. Outro estudo, com 2.500 pacientes que haviam sofrido infarto, mostrou que aqueles que receberam a vacina contra a influenza tiveram 41% menos mortes relacionadas a eventos cardíacos em comparação com os não vacinados.

Por que a vacinação protege o coração

Há uma relação direta entre o efeito das vacinas contra os vírus respiratórios e os acidentes cardiovasculares. O infarto, na maioria dos casos, é causado pela presença de placas de aterosclerose, que são depósitos de gordura, colesterol, cálcio e células inflamatórias que se acumulam nas artérias. Quando o organismo enfrenta uma infecção respiratória, como as provocadas pela gripe ou Covid-19, ocorre um aumento da produção de substâncias inflamatórias, processo que pode desestabilizar as placas de aterosclerose, favorecendo a formação de coágulos que obstruem as artérias coronárias ou cerebrais. É por isso que estudos mostram que o risco de infarto pode ser até seis vezes maior na semana seguinte a uma gripe confirmada em laboratório.

Nesse contexto, a vacinação aparece como uma forma de proteção ao funcionamento cardíaco. Ao reduzir as chances de infecção por vírus respiratórios, as vacinas contra gripe e covid-19 também diminuem a ocorrência de respostas inflamatórias no organismo. Dessa maneira, contribuem para que as placas ateroscleróticas se mantenham mais estáveis, o que reduz o risco de complicações graves, como infartos e acidentes vasculares cerebrais.

Baixa cobertura vacinal preocupa no Brasil

Apesar das evidências que reforçam cada vez mais a importância da imunização, a adesão às campanhas de vacinação segue baixa no Brasil em 2025. Segundo a Secretaria de Saúde, a cobertura vacinal da Influenza se limitou a apenas 47,43% dos grupos prioritários, significativamente abaixo da meta nacional.

Manter a vacinação em dia é um gesto simples, gratuito e que pode salvar vidas. E, como agora se revelou, a imunização é eficaz não apenas contra vírus respiratórios, mas também na redução do risco de complicações cardíacas. A indicação, portanto, é para que todas as pessoas que se encontram com doses de vacinas em atraso procurem um posto de saúde e atualizem a sua carteira. A prevenção está ao alcance de todos e a ciência reafirma: vacinar-se é investir em mais saúde, proteção e qualidade de vida.