Saúde

Hipertensão: 60% dos brasileiros não seguem o tratamento de forma correta

3 de novembro de 2025

A hipertensão arterial, caracterizada pela elevação persistente da pressão sanguínea para níveis acima de 140/90 mmHg, é uma condição bastante comum entre os brasileiros. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 30% dos adultos do país convivem com a pressão alta - e esse número aumenta com a idade, chegando a atingir entre 50% e 60% das pessoas com mais de 60 anos. Justamente por ser tão comum, muitos acabam incorporando os sintomas ao dia a dia, tratando a doença sem a devida atenção e negligenciando os cuidados necessários, de acordo com os dados alarmantes trazidos por uma nova pesquisa da Universidade de São Paulo (USP). Pesquisadores que conduziram o estudo estimam que cerca de 60% dos hipertensos brasileiros não seguem o tratamento de forma correta.

Doença silenciosa

O resultado preocupa porque a hipertensão é uma doença silenciosa, mas potencialmente letal. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o quadro está associado a mais de 10 milhões de mortes todos os anos no mundo, por ser um dos principais fatores de risco para a ocorrência de infartos, AVCs e outras doenças cardiovasculares. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Cardiologia estima que cerca de 400 mil pessoas venham a óbito anualmente em razão de problemas cardiovasculares, muitos deles evitáveis com o controle adequado da pressão arterial.

Esses números mostram a importância de tratar a hipertensão com seriedade. Hoje, o governo brasileiro disponibiliza gratuitamente medicamentos contra a doença por meio do Programa Farmácia Popular, o que facilita o acesso da população ao tratamento. No entanto, o uso regular dos remédios deve ser sempre acompanhado por mudanças no estilo de vida, como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas e reduzir o consumo de sal e bebidas alcoólicas. Quando esses cuidados são deixados de lado, o risco de complicações graves aumenta consideravelmente.

Dados revelados pela pesquisa

O estudo da USP acompanhou 2.578 homens e mulheres com hipertensão, de todas as regiões do país, durante um ano. Os participantes, todos maiores de 18 anos, passaram por exames clínicos e responderam a um questionário sobre o uso dos medicamentos prescritos.

Os resultados revelam que a baixa adesão ao tratamento é mais comum do que se imagina, especialmente entre os idosos, que são justamente o grupo mais afetado pela doença. Entre os participantes do estudo com 65 anos ou mais, 59% disseram não tomar os remédios de forma regular. O levantamento também mostrou diferenças regionais: no Nordeste, cerca de 22% dos pacientes se inserem na categoria de menor adesão ao tratamento. Já no que se refere ao gênero, o comportamento foi praticamente idêntico entre homens e mulheres, com uma variação mínima, entre 1% e 2%.

O resultado do novo estudo lança um alerta muito importante: conviver com a hipertensão exige disciplina e cuidado diários. Tomar a medicação prescrita, seguir as orientações médicas e manter hábitos saudáveis são medidas permanentes que fazem toda a diferença. Afinal, controlar a pressão arterial é um cuidado essencial para viver mais - e melhor!