PAS/SERPRO

Cobrança de coparticipação em consultas de emergência ’pune’ aposentados

27 de outubro de 2025

Um dos objetivos da cobrança de coparticipação em um plano de saúde deveria ser o de desestimular consultas desnecessárias, aquele excesso de idas ao médico sem justificativa ou por justificativas muito frágeis. A arrecadação de 20% do valor das consultas (coparticipação) teria esse papel "pedagógico", mais do que representar uma receita importante para o plano. A economia trazida pelo desestímulo a eventuais consultas supérfluas, esta sim, seria o ganho econômico da coparticipação.

No PAS/Serpro, no entanto, o regulamento estabelece a coparticipação em todas as consultas, sem diferenciar as consultas normais das emergenciais. Ora, as emergenciais são inevitáveis e urgentes. Mas todas são tratadas igualmente como simples item de custeio, complementar, nas receitas do plano de saúde.

Penalização dos aposentados

O chamado Grupo II do PAS/Serpro, onde estão os aposentados, acaba sendo o mais prejudicado por essas cobranças. Em primeiro lugar, porque já pagam o plano de saúde com valor integral, sem o subsídio que o Serpro fornece aos usuários da ativa (Grupo I). Em segundo lugar porque, naturalmente, pela idade, têm mais episódios de emergência médica. E o detalhe: as consultas de emergência são muito mais caras! Tudo isso faz com que a coparticipação, especialmente sobre as consultas de emergência, tornem-se mais um custo para quem já paga com dificuldade a mensalidade do PAS/Serpro.

Duas diretoras da ASPAS exemplificam essa situação. Nossa diretora de comunicação Ana Maria Maia Monteiro de Castro, de 79 anos, esclarece que "não costumo ir à emergência à toa; quando preciso vou ao Quinta D’Or". Ana Maria conta que, num episódio de pressão alta, procurou o hospital em 28/05/2024. A Rede D’Or cobrou absurdos R$ 743,35 pela consulta de emergência, o que fez com que Ana tivesse que arcar com R$ 148,67.

Já Maria das Graças Amora, diretora social da ASPAS, viveu uma situação de ’apagão’ em 01/03/2024 e foi atendida na emergência do Hospital Copa D’Or. Com suspeita de AVC, Graça fez uma série de exames e foi descoberto que teve uma AGT (Amnésia Global Temporária). Agora, deve pagar o valor de R$ 156,29 pelo atendimento.

A diferenciação entre consultas normais e consultas de emergência, na cobrança da coparticipação, seria um aperfeiçoamento importante para um PAS/Serpro mais justo, sobretudo com os idosos.