Saúde
Transtornos mentais já afetam 1,2 bilhão de pessoas em todo o mundo
1º de junho de 2026
A sensação de que os transtornos mentais estão cada vez mais presentes no mundo atual, infelizmente, não é apenas uma impressão. Em meio à aceleração do desenvolvimento tecnológico, da hiperconectividade e de constantes mudanças sociais, os quadros de ansiedade, depressão e outros distúrbios emocionais têm se tornado muito mais frequentes em uma escala global. É o que concluiu um novo estudo publicado na revista científica ‘The Lancet’, que expõe um cenário preocupante: entre 1990 e 2023, o número de pessoas convivendo com transtornos mentais praticamente dobrou, alcançando cerca de 1,2 bilhão de indivíduos, o equivalente a nada menos que 14,5% da população mundial.
Os responsáveis pelo trabalho observaram a incidência desses quadros em 204 países e territórios ao longo de mais de três décadas, uma análise considerada a mais abrangente já realizada sobre o tema. De acordo com o estudo, os aumentos mais significativos foram impulsionados pelos transtornos de ansiedade e pelo transtorno depressivo maior.
Além de identificar a alta incidência dos transtornos psicológicos, a pesquisa também mostrou que, hoje, essas condições representam a principal causa de incapacidade no mundo, superando doenças cardiovasculares, câncer e condições musculoesqueléticas. Isso significa que, embora muitas dessas doenças não sejam necessariamente fatais, elas afetam profundamente a qualidade de vida, a autonomia e a capacidade das pessoas de trabalhar, estudar e manter relações sociais.
Os resultados também ajudam a derrubar algumas ideias comuns sobre saúde mental. Muitas vezes, quadros de ansiedade e depressão são associados principalmente ao envelhecimento, mas o levantamento mostrou que o grupo mais afetado é o de jovens de 15 a 19 anos. Dificuldades financeiras também costumam ser relacionadas ao quadro pelo senso comum, mas a pesquisa indica que os transtornos cresceram em todas as regiões do planeta, inclusive nas de renda mais alta. Países como Holanda, Portugal e Austrália registraram algumas das maiores taxas observadas no estudo.
Causas e possibilidades de tratamento
Os pesquisadores destacam que diversos fatores sociais ajudam a explicar esse avanço, como insegurança econômica, isolamento social, excesso de estímulos digitais, violência, jornadas de trabalho extenuantes e dificuldades de acesso a atendimento especializado. Ainda assim, a pandemia de Covid-19 aparece como um marco importante nesse agravamento recente. Desde 2019, a prevalência da depressão aumentou cerca de 24%, enquanto os casos de ansiedade cresceram mais de 47%, atingindo o pico nos anos posteriores à pandemia.
Especialistas reforçam que os dados servem como alerta para a necessidade de tratar os transtornos mentais como doenças reais, que exigem atenção, acolhimento e tratamento adequados. Também é fundamental quebrar os tabus que ainda cercam o tema e muitas vezes levam pacientes a evitar procurar ajuda por medo, vergonha ou por acreditarem que o sofrimento emocional é uma dimensão natural da vida.
Mudanças persistentes no humor, irritabilidade, desânimo constante, alterações no sono, perda de interesse por atividades antes prazerosas, isolamento e crises frequentes de ansiedade são alguns dos sinais que merecem atenção. Nesses casos, conversar com familiares, buscar apoio emocional e procurar avaliação profissional faz toda a diferença.
O acompanhamento com psicólogos e psiquiatras, aliado à adoção de hábitos saudáveis, a convivência social e a prática de atividades que geram bem-estar continuam sendo o caminho mais seguro para a preservação da saúde mental em todas as fases da vida!
