O canabidiol, conhecido pela sigla CBD, tem sido cada vez mais receitado por médicos em todo o mundo. No entanto, muita gente ainda associa o produto, por ser produzido a partir da planta cannabis, à maconha, a droga entorpecente que é usada para fins recreativos – uma ideia totalmente equivocada. O CBD é apenas um entre os muitos componentes químicos presentes na planta e não provoca nenhum tipo de “barato”, tampouco agride o organismo. Por isso, desde 2019 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permite a produção e a venda de medicamentos à base da substância no Brasil e, nos últimos anos, o composto tem se mostrado uma opção inovadora no tratamento de um grande número de doenças.
A explicação para os efeitos positivos do medicamento está em sua composição química. Diferente do THC, componente da cannabis que gera efeitos psicoativos, o canabidiol não altera a consciência. O medicamento age sobre o chamado sistema endocanabinoide, parte do nosso sistema neurológico responsável por equilibrar funções como o sono, o humor e a percepção da dor. É justamente essa característica que gera seus efeitos terapêuticos.
Benefícios para os idosos
O canabidiol também tem se destacado no alívio de sintomas associados a doenças neurodegenerativas relacionadas ao envelhecimento, como Parkinson e Alzheimer, com efeitos diretos na redução de tremores e benefícios comportamentais em pacientes com demência. Por isso, o medicamento tem sido especialmente receitado para pacientes idosos: um estudo publicado no ‘Journal of the American Medical Association’ mostrou que, entre 2021 e 2023, o uso medicinal do canabidiol cresceu 45% entre norte-americanos com mais de 65 anos, reflexo do aumento da confiança na substância.
Além dos tratamentos para condições específicas, muitos idosos convivem com o uso simultâneo de vários medicamentos, o que pode causar interações e efeitos colaterais indesejados. O canabidiol surge como uma alternativa coadjuvante, que complementa outros tratamentos e ajuda a aliviar esses sintomas sem sobrecarregar o organismo. A substância também tem sido amplamente utilizada para aliviar os efeitos colaterais de tratamentos mais agressivos, como a quimioterapia.
Como funciona o tratamento
O acesso ao canabidiol tem início com uma consulta médica. Neurologistas, geriatras e psiquiatras costumam ter a expertise necessária para prescrever o produto, mas também podem indicar outro profissional para acompanhar a prescrição. A compra é feita em farmácias autorizadas ou por importação e só pode ser realizada com a apresentação de receita controlada. O remédio geralmente é administrado em gotas sublinguais, mas pomadas, cremes e cápsulas também são comercializados.
Um obstáculo sentido por muitos pacientes na hora da compra é o preço do CBD. Os frascos de medicamentos à base de canabidiol, para uso mensal, custam em torno de R$ 250 e poucos são os planos de saúde que oferecem essa cobertura. Em alguns casos específicos e mais graves, a exemplo de doenças neurodegenerativas, o canabidiol pode ser disponibilizado pelo SUS – mas o acesso depende de prescrição médica, laudo detalhado e, em muitos estados e municípios, ainda ocorre apenas por meio de decisão judicial.
O avanço da ciência tem mostrado que o CBD pode representar uma verdadeira revolução no cuidado com a saúde. Apesar dos tabus e preconceitos infundados que ainda cercam o uso dessa substância, o canabidiol tem mostrado que pode se tornar um aliado importante na conquista de um envelhecimento com mais leveza e melhor qualidade de vida.