Saúde

Campanha anual de vacinação contra a gripe começa em meio ao aumento de casos no Brasil

6 de abril de 2026

Como ocorre todos os anos, o Brasil deu início à campanha nacional de vacinação contra a gripe. Em 2026, a mobilização começou no dia 28 de março e deve seguir até 30 de maio em grande parte do país. A exceção é a região Norte, onde a campanha será realizada no segundo semestre, respeitando a sazonalidade regional, que apresenta dinâmica diferente de transmissão.

Neste ano, a vacinação ocorre em um cenário que exige atenção ainda maior. Dados recentes do boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam que os casos de influenza começaram a crescer antes do período habitual. Tradicionalmente, o pico da doença no Brasil ocorre ao longo do outono e do inverno, mas em 2026 já se verificou uma elevação relevante do número de notificações mesmo antes do início dessas estações. Apenas até 14 de março, já haviam sido registrados cerca de 14,3 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, com aproximadamente 840 óbitos. Entre os quadros graves identificados, a influenza corresponde a quase 30% das infecções, reforçando o impacto do vírus neste momento.

É nesse contexto que os especialistas destacam a importância da vacinação anual. Isso porque o vírus da gripe sofre mutações frequentes, o que exige uma correspondente atualização constante das vacinas. Além disso, a proteção conferida pelos anticorpos diminui ao longo do tempo. As doses oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são atualizadas anualmente para proteger contra três tipos do vírus Influenza em circulação, reduzindo o risco de formas graves e óbitos.

A vacina, que faz parte do Calendário Nacional de Vacinação, é recomendada anualmente para pessoas que fazem parte dos grupos de risco da doença: crianças de seis meses a seis anos, idosos, portadores de doenças crônicas, pacientes imunocomprometidos e gestantes. Nos últimos anos, no entanto, a adesão à vacina da gripe ficou bem abaixo do esperado – em 2025, o país enfrentou desafios significativos com a baixa adesão, encerrando o ano com níveis de cobertura vacinal abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde.

Esse cenário contribui diretamente para uma maior circulação viral e pode estar relacionado ao aumento antecipado de casos que agora se observa. É por isso que mesmo quem deixou de se vacinar em campanhas anteriores deve procurar uma unidade de saúde e retomar a proteção a partir da dose deste ano. A vacinação continua sendo uma das formas mais eficazes de prevenção.

Vacinação contra a covid também deve ser atualizada

O cenário de aumento de doenças respiratórias também inclui a covid-19, que segue em circulação e fazendo vítimas no país. Atualmente, a estratégia nacional de vacinação está voltada para grupos prioritários e utiliza vacinas atualizadas, que protegem contra variantes mais recentes do vírus. A imunização é recomendada para crianças a partir de seis meses, além de gestantes, puérperas, idosos e pessoas imunocomprometidas, com esquemas que podem variar entre doses anuais ou semestrais, conforme a indicação médica.

É importante destacar que é absolutamente seguro tomar a vacina da gripe e a da covid-19 no mesmo dia. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, as doses podem ser aplicadas simultaneamente, preferencialmente em braços diferentes, sem prejuízo à eficácia ou aumento de riscos. Essa estratégia facilita a atualização do calendário vacinal e amplia a proteção contra vírus respiratórios.

Manter a vacinação em dia é um cuidado essencial. Procurar uma unidade de saúde e atualizar a caderneta vacinal é uma medida simples, mas fundamental para reduzir o risco de complicações e, ao mesmo tempo, para contribuir ativamente para a proteção de toda a comunidade!
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