Assim como outros golpes digitais, a venda de medicamentos falsos tem crescido de forma alarmante nas redes sociais. Um estudo do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo revelou que, em apenas um mês de monitoramento, foram encontrados nada menos que 513 anúncios publicitários de produtos sem validação científica nas plataformas da Meta (Facebook e Instagram). Desse total, 83% eram vídeos que exibiam supostos resultados positivos, de modo bastante convincente. A maior parte dessas peças de propaganda promete soluções para a disfunção erétil, mas um novo nicho em expansão tem focado no emagrecimento rápido, explorando a alta demanda pelas “canetinhas para emagrecer”, como Ozempic e Wegovy.
A atratividade desses anúncios se explica justamente pelo nível de persuasão que conseguem exercer sobre o público, já que são concebidos para transmitir confiabilidade e, assim, ludibriar o consumidor de forma a impedir a identificação da fraude. As autoridades policiais já apuraram esquemas em que atores se passam por médicos ou pacientes satisfeitos para reforçar a credibilidade e concretizar o golpe. A situação torna-se ainda mais preocupante diante do uso crescente de tecnologias de manipulação de imagens, como os deepfakes. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) denunciou recentemente a circulação de vídeos falsos em que personalidades como Ana Maria Braga, Fábio Júnior, Fátima Bernardes e Cid Moreira apareciam supostamente recomendando um colírio inexistente, sem registro na Anvisa e sem qualquer respaldo científico.
O cenário gera especial apreensão em função dos inúmeros riscos a que ficam expostas as pessoas que consomem esses produtos. Além de não terem eficácia comprovada, essas substâncias podem causar reações adversas graves, intoxicações e complicações de saúde irreversíveis, já que se tratam de produtos produzidos em laboratórios clandestinos. Também deve ser levado em conta o prejuízo financeiro: muitas vezes, os golpistas vendem placebos ou substâncias não regulamentadas por valores altos, sem qualquer garantia de entrega ou procedência. Para não cair nesse tipo de fraude, é fundamental estar sempre atento.
Como identificar medicamentos falsos?
A principal medida de segurança é verificar, antes da compra, se o produto possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A lista oficial pode ser facilmente consultada no site da entidade (https://www.gov.br/anvisa/pt-br/sistemas/consulta-a-registro-de-medicamentos). Outro ponto importante é sempre desconfiar de anúncios que prometem cura rápida ou resultados milagrosos, um tipo de publicidade que não é realizada por laboratórios confiáveis e devidamente regulamentados.
Para quem já adquiriu algum produto, há sinais nas embalagens que permitem identificar a falsificação: erros de ortografia no rótulo, ausência ou defeito em hologramas de segurança, número de lote ilegível e impressão de baixa qualidade. Medicamentos autorizados no Brasil devem seguir diversos parâmetros de segurança em suas embalagens e contar com uma área com tinta reativa que, ao ser raspada, revele a palavra “qualidade” junto ao nome do laboratório. Todos os elementos do padrão oficial que devem seguir os invólucros de medicamentos podem ser conferidos na imagem acima.
Manter atenção permanente contra esse tipo de golpe evita prejuízos financeiros, preserva a saúde e pode até mesmo salvar vidas. Informação e cuidado continuam sendo a melhor defesa contra o imenso perigo representado pelas promessas fáceis!
