Querem sua foto!

Querem sua foto! Cuidado com o golpe da biometria

12 de maio de 2025

Criminosos usam fotos do rosto de vítimas para obter financiamentos. Confira as principais armadilhas usadas pelos golpistas.

A biometria facial foi desenvolvida para reforçar a segurança nas transações digitais, funcionando como uma espécie de senha individual e intransferível, baseada na imagem do rosto. A ideia era que, ao identificar traços únicos da face, o sistema garantisse que apenas o verdadeiro dono dos dados pudesse autorizar ações sensíveis, como movimentações financeiras. Porém, essa tecnologia também passou a ser explorada por criminosos. Com promessas enganosas e pretextos variados, golpistas têm conseguido capturar imagens faciais de vítimas e usá-las para contratar empréstimos ou abrir financiamentos de maneira fraudulenta.

Um dos casos mais alarmantes foi registrado em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Segundo reportagem do programa televisivo Fantástico, uma idosa teve 80% do valor da sua aposentadoria desviados após cair no chamado "golpe da biometria". Duas mulheres se apresentaram como funcionárias do SUS e, assim, entraram na residência da vítima. Além de coletarem dados pessoais, alegaram que precisavam tirar uma foto para completar o suposto cadastramento. Em posse dessa imagem e dos dados obtidos, as criminosas contrataram um empréstimo consignado em nome da idosa. Após denúncia, a Polícia Civil prendeu as duas golpistas, Joyce Melo dos Santos e Denise Silveira Pinheiro. Na casa de Denise, foi encontrado um jaleco usado para passar uma imagem de credibilidade. A dupla foi reconhecida por outras três vítimas.

Em outras regiões do país, o golpe da biometria também tem sido aplicado com a utilização de diferentes disfarces. Há relatos de criminosos que se apresentam como recrutadores de empresas e coletam dados pessoais e imagens dos rostos dos candidatos sob o pretexto de cadastramento para processos seletivos. Realizada a coleta, as informações são utilizadas para validar digitalmente assinaturas de contratos fraudulentos, a exemplo de financiamentos ou da abertura de contas bancárias. Também foram registrados casos em lojas da operadora Claro, onde funcionários se aproveitaram do processo de venda de linhas telefônicas para aplicar o mesmo tipo de golpe, utilizando a biometria dos clientes de forma criminosa.

Como se proteger

A principal orientação das autoridades é desconfiar de qualquer abordagem que envolva a coleta de dados e fotos, especialmente em ambientes fora das instituições oficiais do Governo. Agentes de saúde e recrutadores legítimos não costumam requisitar esse tipo de informação de forma aleatória ou repetitiva. Serviços de comércio, em geral, também não devem solicitar fotos dos clientes.
Se o atendente pedir várias fotos em ângulos diferentes, em fundo branco, ou usar um celular pessoal para capturar a imagem, acenda o sinal de alerta. Nessas situações, é fundamental perguntar imediatamente qual a finalidade da coleta e confirmar a identidade do profissional junto à instituição responsável.

Outra medida preventiva é consultar periodicamente o Registrato (https://www.bcb.gov.br/meubc/registrato), ferramenta gratuita do Banco Central que permite verificar se há contas, cartões ou empréstimos em seu nome. A consulta pode ajudar a identificar e contestar operações fraudulentas antes que possam causar maiores prejuízos.

Proteger seus dados é proteger sua liberdade. Desconfie, questione e valorize sua segurança digital!