Saúde

O mito do “jejum milagroso”

24 de novembro de 2025

Nos últimos meses, as redes sociais foram tomadas por vídeos e postagens que exaltam o jejum como uma espécie de “cura natural” para vários problemas de saúde. A promessa é tentadora: emagrecer, desintoxicar e fortalecer o sistema imunológico sem o uso de medicamentos ou dietas complexas. Mas, atenção: embora o jejum continue ganhando popularidade, médicos alertam que seguir essas orientações sem supervisão profissional pode trazer sérios riscos à saúde, especialmente para pessoas idosas ou com doenças crônicas.

Entre as ‘fake news’ que circulam na internet, algumas chamam atenção pela absoluta falta de embasamento científico. Uma delas diz que um jejum contínuo de 72 horas faria o corpo iniciar um processo de “limpeza” que elimina toxinas, reduz inflamações e fortalece o sistema imunológico. Outra postagem vai ainda mais longe, ao sugerir que um jejum de água de 21 dias seria capaz de destruir células cancerígenas, permitindo que o corpo se livre de tumores. Destaca-se também o método denominado “OMAD” (‘One Meal a Day’), sigla em inglês que significa “uma refeição por dia” – uma versão ainda mais extrema do jejum intermitente, que supostamente seria eficiente para a perda rápida de peso e o ganho de energia. Nenhuma dessas práticas, no entanto, é respaldada por qualquer evidência científica.

Riscos para a saúde

Frente à multiplicação desses tipos de jejum, a recomendação dos médicos e especialistas é simples e direta: seguir dietas radicais baseadas em informações falsas pode ser mais prejudicial do que benéfico. Pessoas que permanecem sem se alimentar, por um período, realmente podem notar uma diferença na balança, mas isso ocorre principalmente em função da desnutrição causada pela ingestão insuficiente de alimentos, uma forma nada saudável de emagrecer. Como consequência imediata, quem tenta esses jejuns pode sofrer episódios de hipoglicemia, com sintomas como tontura, irritabilidade e mal-estar.

A longo prazo, os riscos se ampliam ainda mais, colocando todo o organismo em risco. Um estudo apresentado na conferência de 2024 da ‘American Heart Association’ revelou que pessoas adeptas do jejum intermitente apresentaram 91% mais risco de morte por doença cardiovascular. Além disso, a prática de jejum também constitui um gatilho comumente associado ao desenvolvimento de compulsões e transtornos alimentares.

Plano alimentar equilibrado é o melhor caminho

Isso não significa, porém, que o jejum seja sempre nocivo. Quando realizado sob orientação médica e de forma pontual, a prática pode trazer benefícios como melhorar a sensibilidade à insulina e ajudar no controle de peso. O importante é compreender que o jejum não deve ser parte da rotina, e sim uma estratégia ocasional dentro de um plano alimentar equilibrado.

Para quem sente menos fome durante o dia, como é comum entre idosos, priorizar refeições leves e balanceadas é uma alternativa muito mais segura e sustentável do que o jejum. Opções alimentares como frutas, iogurtes naturais, sopas, caldos, mingaus e pequenas porções ricas em proteínas magras ajudam a manter os níveis de energia estáveis e a evitar a perda de massa muscular. Lanches intermediários compostos por oleaginosas, como castanhas e nozes, também podem ser aliados valiosos, ao garantir saciedade sem excessos. Outra boa estratégia é fracionar as refeições ao longo do dia em pequenas quantidades, o que facilita a digestão e reduz a sensação de desconforto. Dessa forma, o corpo continua recebendo os nutrientes de que precisa, sem que seja necessário recorrer a restrições perigosas.

Em vez de buscar milagres, lembre-se sempre que o segredo está no equilíbrio. Cuidar da alimentação com consciência é o verdadeiro caminho para uma vida mais longa e saudável!