A desnutrição silenciosa é uma condição que, como o próprio nome indica, muitas vezes passa despercebida, mas que pode acarretar sérias consequências para a saúde dos idosos. Trata-se de uma condição em que o organismo não é suprido de forma adequada com os nutrientes necessários para seu funcionamento, ainda que a pessoa não apresente, como consequência, uma perda de peso significativa. O quadro afeta milhares de brasileiros todos os anos e pode ser fatal. Um estudo realizado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) revelou a gravidade do problema: entre os anos de 2000 e 2021, a desnutrição foi responsável por mais de 90 mil óbitos de idosos no Brasil.
A desnutrição silenciosa atinge majoritariamente as pessoas com idade mais avançada porque o envelhecimento, por diferentes motivos, torna o organismo mais suscetível a essa condição. Entre as razões principais, destacam-se as mudanças fisiológicas próprias da idade, que reduzem a capacidade de absorção dos nutrientes e alteram o metabolismo, deixando o organismo mais exposto à desnutrição. Além disso, doenças crônicas como diabetes, enfermidades cardiovasculares e câncer podem comprometer o apetite, assim como a absorção de nutrientes, deflagrando ou agravando o quadro. Há ainda fatores mecânicos que atrapalham a alimentação, como a disfagia (dificuldade para engolir), além de problemas dentários, que dificultam a mastigação.
Atenção aos sinais
Fatores externos ao organismo do idoso também podem favorecer o surgimento da condição, a exemplo do uso mais intensivo de medicamentos, já que muitos fármacos comumente administrados na terceira idade provocam náuseas, alterações no paladar ou falta de apetite. Questões emocionais e sociais, como o isolamento, a depressão ou o luto também podem contribuir para desencadear o problema, ao reduzirem a motivação necessária ao preparo e ao consumo adequado das refeições, o que amplia o risco de ocorrência da desnutrição.
Por ser de grande incidência, é fundamental manter-se atento aos sinais que podem indicar a presença da desnutrição silenciosa. Fadiga constante, fraqueza, tonturas, queda frequente de cabelos, pele ressecada e unhas frágeis são motivos de alerta. Além disso, episódios recorrentes de quedas, perda de força muscular e uma maior propensão a contrair infecções sugerem que o organismo não está recebendo os nutrientes necessários. Esses sintomas não apenas indicam um provável quadro de desnutrição, mas revelam uma considerável elevação da vulnerabilidade frente a outras complicações de saúde.
Como prevenir e tratar
O diagnóstico deve ser feito por um especialista, como um nutrólogo, com base em uma avaliação completa. Essa investigação inclui a análise da massa muscular do paciente e a observação atenta de sua dieta e da quantidade de alimentos que costuma ingerir, entre outros exames clínicos. Mudanças físicas, como uma maior fragilidade da pele, dos fios capilares e das unhas também devem ser levadas em conta. Exames laboratoriais ajudam a identificar a deficiência de proteínas, vitaminas e minerais. Existem ainda ferramentas específicas de triagem nutricional utilizadas para apoiar o diagnóstico e definir a gravidade do quadro.
Após a identificação do problema, o acompanhamento por um nutricionista é fundamental para assegurar que o tratamento seja personalizado. O profissional irá planejar uma dieta voltada a atender especificamente às dificuldades e necessidades de cada paciente. Aumentar a ingestão de proteínas e suplementar algumas vitaminas costuma ser a indicação inicial. Em situações mais graves, suplementos alimentares especiais podem ser prescritos para suprir adequadamente a oferta de nutrientes.
Valorizar a nutrição consciente é investir em saúde e qualidade de vida. Uma vida mais longa, com disposição e vitalidade, começa com uma boa alimentação!