Saúde

Canudo criado por pesquisadores brasileiros detecta metanol em bebidas

27 de outubro de 2025

O Brasil enfrenta uma preocupante onda de intoxicações e mortes causadas por bebidas alcoólicas adulteradas. Até o fim da primeira quinzena de outubro, o país já contabilizava 41 casos confirmados e 107 em investigação, segundo dados do Ministério da Saúde. As ocorrências se concentraram nos estados de São Paulo, Pernambuco, Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul, acendendo um alerta nacional sobre os riscos do consumo de bebidas alcoólicas de procedência duvidosa. Diante desse cenário, pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) desenvolveram uma solução simples e acessível que pode ajudar a prevenir novas intoxicações: um canudo capaz de identificar a presença de metanol nas bebidas.

O funcionamento do dispositivo é intuitivo e o resultado do teste é obtido rapidamente. O interior do canudo é revestido com uma substância reagente capaz de indicar a presença de compostos tóxicos (como o metanol) na bebida. Quando a contaminação é detectada, ocorre uma mudança visível de cor no canudo, semelhante ao que acontece em um teste de gravidez. Assim, em poucos segundos, a pessoa pode saber se a bebida realmente é segura para o consumo.

Atualmente, o projeto está em fase de depósito de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Paralelamente, os protótipos estão sendo testados na Fundação Parque Tecnológico de Campina Grande, localizada no campus da própria UEPB. Os pesquisadores informaram que já se encontram em fase final de produção algumas unidades dos canudos, o que dará início aos ensaios de segurança necessários à liberação do produto para consumo. Caso todas as etapas sejam concluídas com sucesso, o produto deve chegar ao mercado em breve, com preço estimado em torno de apenas R$ 2,00 por unidade, o que amplia o potencial de seu uso em larga escala.

A origem do canudo

A pesquisa que resultou no desenvolvimento do dispositivo nasceu de um objetivo local: identificar possíveis contaminações nas cachaças produzidas na Paraíba. Financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq), o estudo envolveu dez pesquisadores do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Química da UEPB. Foram necessários cerca de dois anos de trabalho até a conclusão do protótipo, em uma combinação que envolveu conhecimento científico e uma preocupação prática e social.

Com iniciativas - e conquistas - como essa, a ciência brasileira reafirma seu papel essencial na proteção da vida e na busca por soluções acessíveis diante de problemas de grande dimensão. Frente a desafios complexos e cenários emergenciais, os pesquisadores seguem mostrando a importância do desenvolvimento científico nacional, transformando ideias em soluções concretas que realmente fazem a diferença para milhões de pessoas.