O avanço das apostas online no Brasil tem sido acelerado e constante. Plataformas de jogos como as chamadas "bets" e os populares "jogos do tigrinho" estão presentes em propagandas na TV, nas redes sociais e até mesmo nas próprias transmissões esportivas. Na condição de "passatempo" que se converteu em uma grave questão de saúde pública, esses jogos foram incorporados à rotina de muitos brasileiros, inclusive idosos, ainda que a prática de apostar seja comumente associada apenas aos mais jovens. Segundo nota técnica do Banco Central (BC) divulgada no final de 2024, apesar da maioria dos jogadores se encaixar na faixa etária dos 20 aos 30 anos, são usuários acima de 60 anos os que mais comprometem recursos com as apostas.
A nota técnica do BC revelou que idosos com o hábito de apostar de forma online despendem, em média, R$ 3 mil mensalmente com jogos, um valor significativamente superior à média das aposentadorias no país. Na sequência desse ranking, estão os adultos acima dos 50 anos, que chegam a gastar, em média, R$ 2,5 mil mensais. Esses são números expressivos, especialmente tendo em vista que, segundo a 8ª edição do "Raio-X do Investidor Brasileiro", cerca de 23 milhões de brasileiros realizaram apostas por meio de aplicativos em 2024. E o mais grave: quase metade desse grupo (47%) se encontra, atualmente, endividada.
Sinais de alerta: quando apostar deixa de ser lazer
Embora possa começar como distração pontual ou uma tentativa de ganhar um dinheiro extra, o grande problema gerado pelas apostas online reside em seu alto potencial de se transformar em compulsão, um distúrbio conhecido como "transtorno do jogo". Segundo especialistas, os jovens representam o grupo considerado mais suscetível ao desenvolvimento do quadro, mas os idosos também são vulneráveis, já que a solidão, o afastamento social e a perda de vínculos afetivos tornam essa faixa etária particularmente sensível a mecanismos de recompensa imediata, como os oferecidos pelas plataformas de apostas. Nesse contexto, o jogo deixa de ser uma opção de lazer para ocupar o lugar de escape emocional, o que pode provocar sérias consequências.
Por isso, é importante observar quando a relação com as apostas começa a mudar. Para quem aposta, sinais como a necessidade de aumentar os valores para sentir a mesma emoção, prometer a si mesmo que vai parar e não conseguir ou, ainda, usar o dinheiro da aposentadoria e de despesas básicas para continuar jogando representam fortes sinais de alerta. Também vale prestar atenção ao tempo gasto nas plataformas. Se você ou alguém próximo passa horas seguidas jogando, ignora compromissos, evita falar sobre o assunto ou apresenta mudanças de humor após perder, isso pode indicar o desenvolvimento de um comportamento compulsivo.
Vale também monitorar os entes próximos. O surgimento de sinais como isolamento repentino, queda na qualidade de vida, irritabilidade imotivada e problemas financeiros fora do padrão pode indicar que as apostas estão se tornando um problema de saúde.
Busque ajuda: terapia, rotina e apoio fazem diferença
O transtorno do jogo tem tratamento e costuma melhorar significativamente com acompanhamento adequado. A psicoterapia é o principal recurso disponível, contribuindo para a identificação dos gatilhos emocionais que deflagram o impulso de apostar. A participação em grupos de apoio e a dedicação a atividades que preencham o tempo de forma saudável, como exercícios físicos, também são recomendados.
Buscar ajuda não significa fraqueza. Na verdade, esse é o primeiro passo para que se possa retomar o controle da própria vida!