Conforme noticiamos na edição passada do Boletim ASPAS, no último dia 14 a diretoria do SERPROS apresentou à Comissão Técnica da ASPAS um balanço detalhado sobre o desempenho dos investimentos dos seus planos de previdência em 2024. A reunião ocorreu no escritório do SERPROS no Rio de Janeiro, com a participação presencial do Diretor de Investimentos Leonardo Dias, da gerente de Investimentos Juliana Donadia e da gerente de Governança de Investimentos Anna Cláudia Gonçalves. Também participaram por vídeo a presidente do SERPROS, Edilene Araújo, e o diretor de Seguridade, Alexandre Jordão.
A Comissão Técnica da ASPAS havia questionado o baixo desempenho dos investimentos do PS-I e PS-II no último ano, já que os rendimentos ficaram abaixo da meta atuarial. A equipe do SERPROS reconheceu que os resultados foram insuficientes e explicou que estão tomando medidas visando um desempenho melhor em 2025. Uma das mudanças ocorreu em setembro do ano passado com a posse da nova gerente de investimentos. Agora em fevereiro deste ano houve a troca de alguns gestores externos, ou seja, bancos de investimentos do mercado, em busca de melhor aderência às metas do SERPROS.
Razões para o baixo desempenho em 2024
O principal fator apontado para o desempenho abaixo do esperado foram as oscilações do mercado. A taxa de juros subiu, retornando aos patamares de 2016/2017, o que impactou os preços dos ativos. O câmbio seguiu na mesma linha, com a desvalorização do Real, influenciado pelos debates sobre os ’desafios fiscais’ do governo e o fluxo de saída de dólares do país.
Os argumentos levantam ainda que houve uma revisão com viés de alta para as expectativas de inflação. E, para completar, ao longo do ano o Ibovespa registrou uma queda de 10,36%, influenciado pelo dólar alto, tensões geopolíticas, aumento da Selic e incertezas fiscais.
Avaliações atuariais de 2024
Se na reunião a equipe de investimentos admitiu o resultado geral insuficiente, em seu site o SERPROS lembrou pontos positivos. "Apesar de um cenário econômico volátil e desafiador em 2024, caracterizado por inflação acima da meta, elevação da taxa de juros, desvalorização do real frente ao dólar e debates sobre responsabilidade fiscal, o Serpros conseguiu aproveitar o melhor desse cenário". A matéria destaca que "o PS-I não será obrigado a realizar novo equacionamento, o PS-II manteve-se superavitário e o Plano Ser+ alcançou o patrimônio de R$ 30 milhões em menos de dois anos de funcionamento".
No mesmo texto, é feito o detalhamento das avaliações atuariais, trazendo um quadro mais completo. Quanto ao PS-I, este é o resumo:
(O PS-I) "Encontra-se deficitário, com aumento da insuficiência de R$ 88,14 milhões em relação ao ano anterior, devido a rentabilidade do plano ter sido inferior à meta atuarial em R$ 127,44 milhões, compensada com os ganhos atuariais de R$ 37,12 milhões, decorrentes de postergação de aposentadoria de participantes elegíveis (+R$ 51,81 milhões), sobrevivência acima da esperada (-R$ 33,24 milhões) e alterações cadastrais (+R$ 18,55 milhões). Além disso, valores destinados às reversões de contingências e outras deduções de R$ 2,18 milhões reduziram parcialmente o impacto".
Sobre o PS-II BD, o texto destaca:
"O PS-II BD manteve-se superavitário, embora tenha havido uma redução do superávit de R$ 87,21 milhões em relação ao ano anterior, em razão de a rentabilidade do plano ter sido inferior à meta atuarial em R$ 50,96 milhões e das perdas atuariais de R$ 22,39 milhões, decorrentes da sobrevivência acima da esperada (-R$ 14,96 milhões), das alterações cadastrais (+R$ 5,99 milhões) e da redução da premissa atuarial da taxa de juros (-R$ 13,42 milhões). Além disso, valores destinados a reversões de contingências, à constituição de fundo previdencial e a outras movimentações reduziram o superávit em R$ 13,86 milhões".
Melhores expectativas para 2025
Na apresentação para a ASPAS, o SERPROS trouxe um comparativo com outros fundos de pensão de mesmo porte, mostrando que tiveram desempenho semelhante em 2024. Em resposta às preocupações da ASPAS, a Diretoria de Investimentos está otimista para 2025 e tem a expectativa de um desempenho positivo este ano, buscando atingir e, se possível, superar a meta atuarial.
COF está ciente dos resultados de 2024
O desempenho dos investimentos do SERPROS em 2024 foi um dos assuntos levados à 1ª reunião ordinária do Conselho Fiscal (COF), realizada nos dias 25, 26 e 27 de fevereiro último. Nessa reunião, houve apresentações das gerências, além da Diretoria Executiva e de outros segmentos de contabilidade e controle do Fundo. A ata, disponível na Área Restrita do site do SERPROS, registra que "o Conselho Fiscal tomou ciência do acompanhamento dos desempenhos dos investimentos, analisando as movimentações de compra e venda de títulos públicos, as projeções econômicas e as rentabilidades das carteiras dos Fundos de Investimentos".
Veja aqui a matéria do SERPROS sobre os resultados da Avaliação Atuarial de 2024
