Senhores da saúde

Destino dos aposentados do PAS/Serpro está nas mãos de cinco conselheiros

26 de janeiro de 2026

Os usuários do PAS/Serpro, sobretudo os aposentados, continuam se manifestando nas redes sociais e enviando mensagens à ASPAS denunciando os efeitos do reajuste de 29,39% aplicado nas mensalidades do plano de saúde em dezembro último. Muitos aposentados estão em vias de abandonar o plano por não conseguirem mais arcar com seu custo. Decisão que, a essa altura da vida, constitui um castigo cruel para quem dedicou décadas de sua vida para o sucesso do Serpro.

A suspensão desse reajuste gigantesco daria tempo para que os aposentados possam usufruir das mudanças que o PAS/Serpro sofrerá a partir da recente aprovação da SEST, que permitiu a adoção de quatro novos planos. Essa mudança começou a partir de sugestões da ASPAS para o então Diretor de Pessoas do Serpro, Marco Aurelio Sobrosa Friedl, hoje Conselheiro Deliberativo eleito do SERPROS, que abraçou a ideia. Privar os aposentados desse direito, além de cruel, não faz sentido.

Relatório parcial e tendencioso

O reajuste foi decidido pelo Conselho de Administração do Serpro, que se baseou em relatório financeiro parcial e tendencioso. O relatório se restringiu em mostrar números estáticos do último ano, ignorando o caráter de benefício trabalhista do PAS/Serpro, concedido pela empresa a seus empregados (com promessa de ampará-los por toda a vida), ou seja, elemento importante para a manutenção de seu quadro funcional.

O relatório não levou isso em conta e, por isso, não apresentou um quadro geral para uma decisão mais ponderada do Conselho de Administração. O fato é que o Serpro obteve ótimos lucros nos últimos anos (veja quadro) e, contraditoriamente, reduziu a participação da empresa no PAS, que caiu de 51% para 37% dos custos nos últimos 8 anos (veja gráfico).

Aposentados sofrem

A ASPAS recebeu de uma beneficiária de São Paulo, Assistida do PS-I do SERPROS, seu holerit referente a dezembro/25, mostrando o pagamento recebido no início de janeiro, no valor de R$ 4.077,10. Já o boleto do PAS/Serpro, com vencimento no próximo dia 31/01/26, veio cobrando R$ 4.925,19. Ou seja, ela não terá como pagar o plano de saúde.

São inúmeras as mensagens recebidas pela ASPAS, muitas como comentário no Abaixo-assinado online que já ultrapassou 1.500 assinaturas pedindo a suspensão do reajuste de 29,39%. Com sua participação, e também de seus dependentes, esse número continuará crescendo nos próximos dias e semanas.

Leia e assine aqui o abaixo-assinado.

Carta Aberta da ASPAS

A Carta Aberta da ASPAS (veja aqui) certamente chegou ao Conselho de Administração do Serpro. Esperamos que os ilustres integrantes do Conselho de Administração e da Diretoria do Serpro reflitam sobre os aspectos que levantamos, todos eles com foco no sucesso da empresa, na boa relação com os empregados, na sustentabilidade do PAS/Serpro e na sobrevivência dos ex-empregados, hoje aposentados.

Os conselheiros que decidem esse assunto, listados acima (o representante dos empregados não vota neste caso), têm poder e a responsabilidade para reexaminar o tema e ponderar. Estão lidando com pessoas e com a postura da empresa perante seus empregados. O PAS/Serpro não é um plano privado, que precisa remunerar seus acionistas. É um benefício trabalhista, oferecido pela empresa. Não é custo, é investimento em qualidade funcional e técnica. Certamente eles entendem isso.