Saúde

Brasil registra forte queda nos casos de dengue em 2026

27 de abril de 2026

Os meses de março, abril e maio no Brasil são tradicionalmente marcados pela intensificação das campanhas voltadas para o combate à dengue. É nesse período que as condições climáticas favorecem a proliferação do mosquito transmissor. Em 2026, no entanto, o cenário traz um dado animador: até o início de abril, o país contabilizou cerca de 227,5 mil casos prováveis da doença, número 75% menor do que o observado no mesmo período do ano passado, segundo o Ministério da Saúde.

A notícia é especialmente animadora porque a redução em 2026 não é um fato isolado. Trata-se do segundo ano consecutivo de queda, o que reforça a constatação de uma tendência positiva no enfrentamento da doença. O Ministério também divulgou avanços no controle de outras doenças infecciosas transmitidas por mosquitos, como a malária e a doença de Chagas – em 2025, o Brasil registrou o menor número de casos de malária desde 1979, com queda de 15% em relação ao ano anterior.

De acordo com o Ministério da Saúde, essa queda expressiva é resultado do fortalecimento de ações coordenadas entre governo federal, estados e municípios. Entre as estratégias adotadas está a ampliação do uso de ovitrampas, armadilhas simples que atraem o mosquito para depositar seus ovos, permitindo monitorar e reduzir sua população. Atualmente, o recurso já está presente em cerca de 1,6 mil municípios. Outras iniciativas incluem a disseminação de insetos estéreis, que ajudam a reduzir a reprodução do mosquito, e a ampliação do método Wolbachia, técnica que introduz uma bactéria nos mosquitos para impedir a transmissão do vírus. Essa estratégia deve alcançar 72 municípios prioritários nos próximos meses.

Em paralelo, a vacinação contra a dengue também avança. Mais de 1,4 milhão de doses já foram aplicadas em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, público que passou a receber a vacina em 2024. Em 2026, o Ministério da Saúde iniciou ainda a oferta de uma vacina de dose única em todo o país, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em três municípios-piloto (Botucatu/SP, Maranguape/CE e Nova Lima/MG), voltada para pessoas entre 12 e 59 anos. Os profissionais de saúde também estão sendo imunizados, somando mais de 300 mil doses já aplicadas.

O cenário é positivo, mas o combate à dengue continua

Apesar dos números encorajadores, o combate à dengue ainda exige atenção constante da população. Eliminar água parada, manter caixas d’água bem vedadas, limpar calhas, evitar o acúmulo de lixo e cuidar de vasos de plantas são medidas simples, mas essenciais para impedir a reprodução do mosquito.

“Mesmo com esses avanços, a dengue ainda é a doença que mais nos desafia. Sabemos que há uma grande expectativa em relação à produção de vacinas e ao desenvolvimento de novas alternativas tecnológicas e seguimos trabalhando para ampliar cada vez mais as ferramentas de prevenção e controle”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O momento ainda é de responsabilidade compartilhada. Os avanços conquistados mostram que é possível controlar a doença, mas a prevenção contínua segue como a principal aliada para garantir mais saúde, segurança e qualidade de vida para toda a população.