Pela primeira vez, o Brasil aprovou um medicamento com potencial de retardar o avanço do Alzheimer - doença neurodegenerativa que afeta a memória, o raciocínio e a autonomia de milhões de pessoas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu sinal verde para o uso do Kisunla, da farmacêutica Eli Lilly, que utiliza o princípio ativo donanemabe. O medicamento é dirigido a pacientes que estão enfrentando os estágios iniciais da enfermidade. A aprovação representa um verdadeiro marco para os pacientes brasileiros, que passam agora a contar com um tratamento inovador, já aprovado nos Estados Unidos desde o ano passado.
O Kinsula será disponibilizado em ampolas de 20 mililitros e deve ser administrado por infusão intravenosa uma vez por mês. O uso é restrito aos que possuem prescrição médica e deve ser acompanhado por profissionais de saúde. Os valores ainda não foram divulgados. A Anvisa informou que vai manter o acompanhamento dos dados de segurança e eficácia do remédio mesmo após a aprovação.
Como o Kisunla age no organismo
Diferente dos tratamentos tradicionais que apenas aliviam os sintomas, o donanemabe é um anticorpo monoclonal, ou seja, uma molécula criada em laboratório que imita o sistema imunológico humano. Sua função é se ligar às placas de beta-amiloide, uma proteína que se acumula de forma anormal no cérebro de quem tem Alzheimer. Esses aglomerados prejudicam a comunicação entre os neurônios e estão diretamente ligados à perda da memória e de outras funções cognitivas. Ao atuar sobre essas placas, o remédio ajuda a reduzi-las, o que pode desacelerar a evolução da doença.
O tratamento é contraindicado para pessoas que fazem uso de anticoagulantes, como a varfarina, ou que tenham diagnóstico de angiopatia amiloide cerebral (AAC) - condição identificada por exames de imagem e que pode aumentar os riscos do uso da medicação.
Resultados promissores
A aprovação foi baseada em um estudo clínico de fase 3 realizado com pacientes nos estágios iniciais da condição, ao longo de 18 meses. Os dados apresentados pela Eli Lilly mostram que o Kisunla reduziu em até 39% o risco de progressão da doença para estágios mais graves. Além disso, 76% dos participantes tratados apresentaram uma redução significativa das placas de beta-amiloide no cérebro - resultado considerado promissor pela comunidade científica.
Embora o Kisunla não represente uma cura, ele inaugura um novo capítulo no combate ao Alzheimer no país. Para os pacientes e suas famílias, a chegada dessa medicação, mais do que esperança, traz a possibilidade real de que a memória, o afeto e a autonomia sejam preservados por mais tempo!