Um tipo de pneumonia que avança de forma discreta, muitas vezes sem a manifestação dos sintomas mais comuns da doença, tem gerado crescente preocupação entre médicos, especialmente diante da aproximação dos meses mais frios do ano, período em que as doenças respiratórias são mais recorrentes. Conhecida como pneumonia silenciosa, atípica ou subclínica, essa infecção é particularmente perigosa para idosos e crianças, que normalmente possuem um sistema imunológico mais vulnerável.
Segundo dados do DataSUS, em 2024 houve um aumento de 5% no número das internações causadas por pneumonia no sistema público de saúde, com 701 mil pacientes internados em comparação com os 666,9 mil registrados em 2023. O número de mortes também subiu: foram 73.813 óbitos no ano passado, 12% a mais que os 65.846 verificados em 2023. O estado de São Paulo apresentou crescimento acima da média nacional, com um grande número de municípios reportando aumento de casos da infecção sem febre - característica comum da forma silenciosa da doença.
Embora essa variante da pneumonia não seja de notificação obrigatória, especialistas estimam que ela já represente entre 30% e 40% do total de casos da infecção, o que pode equivaler a até quatro casos para cada mil habitantes, segundo a pneumologista Marcela Ximenes, da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).
Atenção aos sintomas
Ao contrário da forma clássica da pneumonia, que apresenta sinais como febre alta, tosse com catarro e dor no peito, normalmente causados pela bactéria Streptococcus pneumoniae, a versão silenciosa da doença pode passar despercebida em seus estágios iniciais. Isso ocorre porque os sintomas são mais brandos ou mesmo inexistentes, o que atrasa a obtenção de um diagnóstico e o início do tratamento, elevando o risco de complicações e os índices de hospitalização.
Em muitos casos, os sintomas só se manifestam quando a infecção já se encontra em estado avançado. Isso é especialmente preocupante porque a ausência de um diagnóstico precoce faz com que muitos pacientes só venham a receber atendimento médico com considerável comprometimento pulmonar. Diante desse cenário desafiador, é fundamental estar atento aos sinais menos óbvios da infecção, a exemplo de cansaço excessivo, tosse por período prolongado, respiração acelerada, perda de apetite, irritabilidade (em crianças) ou queda do estado geral de saúde (em idosos).
Por isso, na presença de qualquer sinal de piora desses sintomas, é importante procurar uma avaliação médica de forma imediata. A adoção de medidas preventivas simples, como lavar as mãos com frequência, evitar o contato com pessoas infectadas, usar máscaras de proteção e manter a ventilação dos ambientes pode fazer toda a diferença.
Importante mesmo é preparar-se adequadamente para a chegada do inverno e o consequente aumento da circulação de diferentes vírus respiratórios. Para aproveitar a estação com mais segurança e tranquilidade, é tempo de redobrar os cuidados, especialmente aqueles dirigidos aos que mais precisam de proteção.