O ronco é uma manifestação física comum, frequentemente tratada com humor ou como um simples incômodo para aqueles que dividem o quarto com alguém que ronca. No entanto, o ronco pode sinalizar a presença de um problema de saúde mais grave: a apneia do sono, condição que compromete seriamente a qualidade do descanso e que pode, assim, trazer sérias consequências para a saúde.
Segundo uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de 2023, 72% dos brasileiros sofrem com distúrbios do sono, incluindo o ronco e a apneia. Embora possam parecer semelhantes, esses dois quadros apresentam diferenças importantes. O ronco ocorre quando há vibração das vias aéreas devido à passagem do ar, geralmente sem maiores repercussões para o organismo. Já a apneia do sono é caracterizada por pausas na respiração durante o período de repouso, o que reduz a oxigenação corporal, causando múltiplos despertares ao longo da noite. Um dos principais sintomas da apneia é a sensação de sono não reparador, que é o que ocorre quando, mesmo após várias horas de descanso, a pessoa acorda cansada, como se não tivesse dormido o suficiente.
O ronco frequente e intenso deve ser sempre investigado, já que pode indicar um quadro de apneia do sono. Essa condição está associada a uma série de riscos graves para a saúde, como a hipertensão, o diabetes, as doenças cardiovasculares e até mesmo o comprometimento cognitivo. Estudo recente apresentado no encontro da Academia Americana de Neurologia revelou que pessoas com apneia do sono têm 50% mais risco de desenvolver problemas de memória. A pesquisa sugere que a redução da oxigenação cerebral ao longo do tempo pode contribuir para o declínio cognitivo, aumentando a probabilidade de demências, como o Alzheimer.
Diagnósticos e tratamentos
Para um diagnóstico preciso, é fundamental procurar um médico especialista. O profissional indicado para avaliar e tratar casos de apneia do sono são o otorrinolaringologista e o pneumologista. Esses especialistas podem solicitar exames como a polissonografia, que monitora a qualidade do sono. Vale frisar que existem alguns centros de referência no Brasil, como o Instituto do Sono, em São Paulo, que oferecem atendimento especializado para esses casos. Vale pesquisar se serviços como esse são disponibilizados pela rede de saúde do seu município.
O tratamento do ronco e da apneia do sono varia de acordo com a gravidade do quadro. Mudanças no estilo de vida, como o controle do peso, a prática regular de exercícios físicos e a supressão do consumo de álcool antes de dormir podem reduzir significativamente o ronco. Já para os casos de apneia, é comum o uso de aparelhos como o CPAP (que gera uma pressão positiva contínua nas vias aéreas, mantendo-as abertas durante o sono), além de outros dispositivos orais. Em situações mais graves, porém, pode ser identificada a necessidade de realização de intervenções cirúrgicas.
Se o ronco for persistente e provocar cansaço excessivo, sonolência diurna e dificuldade de concentração, a busca por um especialista passa a ser realmente essencial. Cuidar da qualidade do sono é uma medida que transforma vidas.