Saúde
Por que as pessoas idosas sentem mais frio? A ciência explica
22 de junho de 2026
Com a chegada de dias frios em diversas regiões do Brasil, muita gente já começou a tirar os casacos do armário. Embora as baixas temperaturas sejam sentidas por pessoas de todas as faixas etárias, quem já chegou à terceira idade costuma perceber o frio de forma ainda mais intensa. E isso não é apenas impressão: a ciência já identificou diversos motivos biológicos que ajudam a explicar essa sensação.
O desconforto maior diante da exposição ao frio está relacionado a diferentes mudanças que acontecem naturalmente no organismo ao longo do processo de envelhecimento. Uma das principais envolve o próprio sistema circulatório, responsável por ajudar a manter a temperatura corporal estável. Quando sentimos frio, os vasos sanguíneos das mãos e dos pés se contraem, reduzindo o fluxo de sangue para essas regiões e preservando o calor no interior do corpo. Porém, com o avanço da idade, esse mecanismo de regulação térmica tende a se tornar menos eficiente. Como resultado, o organismo perde calor com mais facilidade, o que explica a impressão de muitas pessoas idosas de que sentem mais frio do que quando eram jovens.
Outro fator importante está ligado ao metabolismo e à massa muscular. Uma das funções do metabolismo é transformar nutrientes em energia, processo que também gera calor para manter a temperatura corporal adequada. Com o envelhecimento, entretanto, a taxa metabólica diminui – o que ocorre por diferentes razões, como a perda natural de massa muscular, alterações hormonais e a tendência de realizar menos atividades físicas ao longo do dia. Como consequência, o corpo produz menos calor, aumentando a sensação de frio.
A própria composição da pele também influencia nesse processo. Quando envelhecemos, a pele perde elasticidade e colágeno, tornando-se mais fina e enrugada. Essas mudanças não acontecem apenas na superfície: o tecido subcutâneo, camada que funciona como um isolante térmico natural, formado em grande parte por gordura, também diminui com a idade. Quando ele se torna menos espesso, o corpo passa a ter mais dificuldade para conservar o calor (já reduzido) que produz, favorecendo a perda de temperatura para o ambiente.
Frio que resulta em dores
A menor resistência ao frio também pode estar relacionada ao surgimento ou agravamento de dores musculares e articulares. Durante os períodos mais frios, a musculatura tende a se contrair mais, o que aumenta o desconforto físico. Esse quadro pode criar um ciclo vicioso: por sentir mais dor e frio, o idoso tende a permanecer mais tempo parado. No entanto, com menos movimentação, o organismo produz menor quantidade de calor, intensificando ainda mais a sensação de frio.
Para evitar esse efeito, especialistas recomendam manter o corpo em movimento. A prática de atividades físicas em ambientes protegidos do vento e do frio excessivo ajuda a estimular a circulação, reduz a rigidez muscular e alivia dores que costumam aparecer ou piorar no inverno. Além disso, consumir bebidas e alimentos quentes, como chás e sopas, pode proporcionar maior conforto térmico. Alimentos termogênicos, como a canela, também podem contribuir para a produção de calor pelo organismo. Outra medida simples é optar por banhos mornos e se agasalhar logo em seguida, o que ajuda a aquecer o corpo e a manter o aquecimento promovido pela água por mais tempo.
Com a adoção de alguns cuidados básicos no dia a dia, é possível enfrentar os meses mais frios com mais conforto, saúde e bem-estar!
