Saúde

Noite adentro: pessoas noturnas têm maior risco de problemas cardíacos

9 de fevereiro de 2026

Trocar o dia pela noite pode custar caro à saúde do coração. É o que demonstra um novo estudo da Associação Americana do Coração, que chama atenção para os impactos de um estilo de vida noturno entre pessoas de meia-idade e idosos. A análise mostrou que pessoas com preferência pela noite apresentaram 79% mais chances de ter uma pontuação geral ruim de saúde cardiovascular em comparação às que preferem o dia. Além disso, ao longo de um acompanhamento médio de 14 anos, o risco de sofrer infarto ou AVC foi 16% maior entre os noturnos. O alerta vale especialmente para as mulheres com tais hábitos, que apresentaram o pior desempenho em indicadores de saúde cardiovascular no estudo.

Os pesquisadores analisaram dados de saúde de mais de 300 mil adultos, com idade média de 57 anos, do UK Biobank, um dos bancos de dados biométricos mais completos do mundo. O objetivo foi entender como a preferência natural de cada indivíduo por um determinado horário de sono pode afetar o sistema cardiovascular.

Quebra do ciclo biológico

De acordo com os autores do estudo, a principal explicação para esses resultados está na quebra do ciclo circadiano, o ritmo biológico que regula as funções do corpo ao longo de 24 horas. Esse ciclo é fortemente influenciado pela exposição à luz natural, que serve como um indicador para que o organismo possa ajustar processos vitais como o sono, o metabolismo e a liberação de hormônios. Quando há pouca luz durante o dia ou estímulos luminosos intensos à noite (como telas e iluminação artificial), o corpo perde parte dessa referência e passa a funcionar de forma desregulada.

É nesse ponto que surge o chamado desalinhamento circadiano, comum entre pessoas noturnas: “As pessoas noturnas frequentemente experimentam desalinhamento circadiano, o que significa que seu relógio biológico interno pode não coincidir com o ciclo natural de luz do dia e da noite ou com seus horários diários típicos”, explicou o pesquisador Sina Kianersi, da Harvard Medical School, ao divulgar a pesquisa. Essa desregulação, segundo ele, pode afetar diretamente o funcionamento do sistema cardiovascular, já que o corpo perde parte de sua capacidade de sincronizar as atividades metabólicas e hormonais com o ambiente.

Hábitos prejudiciais

O estudo também aponta que o risco cardiovascular entre os noturnos é agravado pelo fato de esse grupo apresentar maior incidência de hábitos prejudiciais à saúde, como o consumo de nicotina, além, é claro, do sono de má qualidade. Assim, ainda que haja uma preferência pessoal por horários mais tardios, hábitos como fumar, dormir pouco e manter uma rotina irregular são comportamentos que podem e devem ser ajustados para proteger o coração.

Para quem tem dificuldade de dormir cedo, especialistas recomendam ajustar gradualmente o horário das atividades, reduzir o uso de telas à noite e manter uma rotina regular de sono. Práticas como caminhadas matinais, alimentação leve ao fim do dia, assim como a redução do consumo de estimulantes, como a cafeína, contribuem para que o corpo reencontre seu ritmo natural. E, o que é muito importante: consultas regulares com o médico e exames preventivos continuam sendo aliados fundamentais para a saúde do sono e do coração.

Manter equilibrado o ritmo do corpo é uma forma silenciosa, mas poderosa, de cuidar de si mesmo – noite após noite, dia após dia!