Saúde
Mais da metade das pessoas com hipertensão podem não saber que têm a doença
13 de outubro de 2026
A hipertensão já atinge cerca de 35% da população brasileira, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. No entanto, esse número, que por si só já chama atenção, pode ser ainda maior quando considerados os casos que permanecem sem diagnóstico. É o que indica uma nova pesquisa realizada pela ’Oxford Population Health’, que analisou cerca de 1,4 milhão de adultos na Inglaterra. O estudo identificou que seis de cada dez pessoas desconheciam ter a condição e não apresentavam sintomas.
Esse caráter silencioso da hipertensão é justamente um dos fatores que dificultam a sua identificação. Na maioria dos casos, a doença não provoca sintomas perceptíveis, mesmo quando os níveis de pressão permanecem elevados por bastante tempo. O problema é que isso pode levar a complicações fatais, já que a ausência de diagnóstico e tratamento adequados pode escalar para quadros graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). E no Brasil, os problemas cardiovasculares são responsáveis por aproximadamente 300 mil óbitos por ano, segundo o Ministério da Saúde.
Mesmo quem toma remédio deve monitorar a pressão
Outro resultado da pesquisa inglesa chama atenção para um desafio que vai além da descoberta da doença. Mesmo dentre os entrevistados que já utilizavam um ou mais medicamentos para controlar a pressão, mais da metade ainda apresentava níveis elevados de pressão arterial. Isso não significa que o tratamento seja ineficaz, mas atesta a importância de um acompanhamento regular, já que a pressão pode continuar elevada mesmo entre pessoas que já foram diagnosticadas e seguem alguma forma de tratamento. Nesses casos, cabe ao médico avaliar a necessidade de ajustes na estratégia utilizada e proceder a uma investigação sobre os hábitos do paciente que possam estar atrapalhando o tratamento.
Como mapear e controlar a hipertensão?
Como a hipertensão pode ocultar sinais perceptíveis, aferir a pressão regularmente é uma das formas mais eficazes de identificar quando os níveis estão elevados. Manter um aparelho em casa pode ajudar nesse controle, especialmente para quem já recebeu o diagnóstico ou tem a indicação de um acompanhamento mais frequente. É importante, porém, escolher um equipamento confiável, pois aparelhos de procedência duvidosa podem apresentar resultados pouco precisos. Vale ressaltar ainda que a possibilidade de realizar a medição em casa não deve se transformar em uma fonte de preocupação constante, nem substituir as consultas. O monitoramento regular tem a função de ajudar o médico a acompanhar a resposta ao tratamento e definir a melhor forma de manter a pressão sob controle.
Para quem ainda não sabe se tem hipertensão e não costuma medir a pressão, uma boa iniciativa é incluir a aferição na rotina de cuidados com a saúde mesmo diante da ausência de sintomas. Isso pode ser feito em farmácias que oferecem o serviço, durante consultas ou em visitas a unidades de emergência, por exemplo. Se os resultados revelarem níveis elevados de pressão arterial, é aconselhável levar os medicamentos ao médico para que ele possa avaliar o quadro geral.
Mais do que acompanhar os números, no entanto, é preciso agir efetivamente para mantê-los sob controle. A prevenção e o tratamento envolvem não apenas o uso de medicamentos, mas a adoção de hábitos mais saudáveis, como a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e menor consumo de sal, além do controle do peso e moderação no consumo de álcool. Para quem já sofre de hipertensão, é fundamental sempre seguir corretamente as orientações e os medicamentos prescritos pelo médico.
A hipertensão pode ser silenciosa, mas o cuidado para identificá-la deve ser constante!
