Saúde

Levar acompanhante ao médico melhora o cuidado com a saúde de idosos

17 de novembro de 2025

Ir ao médico nem sempre é uma tarefa simples. Consultas podem gerar momentos de estresse em razão da sobrecarga de informações, especialmente quando envolvem diagnósticos complexos, a prescrição de vários medicamentos ou recomendações técnicas de compreensão mais difícil. Nesse cenário, a presença de um ente próximo pode ser crucial para uma melhor adesão ao tratamento.

É o que indica um estudo recente da Universidade de Michigan, que revelou que nove em cada dez idosos se beneficiam ao levar um acompanhante aos atendimentos médicos. A pesquisa identificou que contar com alguém de confiança nas consultas ajuda na formulação de perguntas, reforça a compreensão de orientações e representa um importante apoio nos aspectos emocional, logístico e financeiro.

Pacientes mais à vontade

O levantamento ouviu mais de 2,8 mil adultos com 50 anos de idade ou mais e mostrou que, para 92% dos participantes, o acompanhante desempenhou um papel efetivo durante o atendimento. Entre eles, 83% afirmaram que se sentiram mais à vontade para compartilhar informações de saúde com o médico na presença de um conhecido e 79% disseram que o apoio recebido posteriormente à consulta facilitou a continuidade do tratamento. Esses números destacam como o envolvimento familiar e social podem influenciar decisivamente a qualidade do cuidado médico, sobretudo na terceira idade, uma fase da vida em que as condições adversas de saúde tendem a se multiplicar.

No Brasil, esse cenário se soma a outro desafio: a polifarmácia. Um estudo publicado em 2023 na revista ‘Research, Society and Development’ apontou que 18% dos idosos fazem uso de cinco ou mais medicamentos de forma contínua. Nesse cenário, acompanhar todos os pontos de atenção clínica, bem como os ajustes de dose e as interações entre remédios pode se tornar uma tarefa bastante complexa. Além disso, barreiras como a linguagem técnica utilizada pelos profissionais de saúde, as limitações financeiras, dificuldades de locomoção e a ausência de uma rede de apoio consistente também dificultam o acompanhamento médico.

Acolhimento e segurança

A dimensão emocional merece especial destaque. Mesmo para os pacientes com funções cognitivas e motoras plenamente preservadas, o apoio durante a consulta representa acolhimento e segurança. A presença de um cônjuge, filho ou amigo de confiança ajuda a reduzir a ansiedade, favorece o entendimento das informações e aumenta a adesão ao tratamento. Em situações delicadas, como aquelas em que se recebe um diagnóstico ou se estabelece a mudança de uma terapia, ter alguém ao lado faz toda a diferença para a tranquilidade e o bem-estar do paciente.

Em casos de demência, depressão ou perda de memória, o suporte é ainda mais essencial. Um levantamento do Ministério da Saúde mostrou que 8,5% dos idosos convivem com algum grau de comprometimento cognitivo, casos em que a manutenção de uma rede de apoio ativa e próxima da rotina médica do paciente mostra-se ainda mais essencial. Nessas situações, o acompanhante cumpre não apenas o papel de assegurar suporte emocional, mas também prático, garantindo que as orientações médicas sejam corretamente compreendidas e seguidas.

Cuidar da saúde é um gesto de autonomia, mas também de partilha e solidariedade. Levar alguém de confiança às consultas não diminui em nada a independência do paciente. Nesses momentos, contar com uma companhia dá mais segurança e contribui para a conquista de uma vida com muito mais saúde!