Saúde
Queda de idosos: como prestar socorro com segurança
28 de outubro de 2024
A queda sofrida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na última semana, chamou a atenção para a importância de sabermos como agir com segurança diante de casos semelhantes. Apesar de não apresentar ferimentos visíveis logo após o acidente, o presidente, de 78 anos, foi conduzido a um hospital, onde os exames identificaram a presença de uma pequena hemorragia cerebral. O episódio coloca em destaque uma constatação muito importante: nenhum idoso, mesmo gozando de boa saúde, está isento dos riscos associados às quedas. E, nesses momentos, buscar auxílio médico imediato é a melhor forma de se proteger.
Dados do Ministério da Saúde mostram que 25% da população idosa de áreas urbanas sofre algum tipo de queda. Para aqueles com mais de 80 anos de idade, a situação é ainda mais alarmante, como indica o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia ao estimar que nada menos do que 40% dos membros desse grupo etário experienciam quedas anualmente. E, o que é pior: essas quedas podem evoluir para quadros graves, inclusive de óbito, o que reforça a gravidade do alerta. Entre 2013 e 2022, 70.516 idosos faleceram em decorrência de acidentes desse tipo, que representa a terceira causa de mortalidade entre pessoas com mais de 65 anos no Brasil.
Primeiros socorros são fundamentais
Diante de uma queda, é fundamental agir de maneira rápida, e segura, para evitar complicações. Se o idoso estiver consciente e não apresentar sinais evidentes de dor ou fraturas, o ideal é verificar imediatamente os seus sinais vitais, como os batimentos cardíacos e a respiração. Mesmo que a pessoa idosa insista que está bem, é imprescindível conduzi-la a um hospital para a realização de avaliação médica. Exames de imagem, como tomografias, têm a capacidade de detectar lesões internas que não são visíveis a olho nu, como foi o caso da hemorragia cerebral identificada em Lula. O acompanhamento médico é realmente necessário, já que complicações podem surgir horas ou até mesmo dias após o acidente.
Em situações mais graves, em que ocorrem desmaios, fraturas visíveis, sangramentos ou há queixa de dores intensas, a recomendação é imobilizar o idoso e evitar movê-lo, pois quaisquer movimentos físicos podem agravar possíveis lesões. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou ambulâncias particulares devem ser acionados imediatamente. Durante o tempo de espera, é crucial manter o idoso calmo e apoiá-lo emocionalmente até a chegada dos profissionais de saúde. Em alguns casos, quando as quedas provocam fraturas em regiões como o quadril (o que é mais frequente entre os idosos), pode ser necessário um período mais longo para a devida recuperação. Quando acontecem esses tipos de queda, o atendimento especializado precoce pode fazer toda a diferença para a minimização de possíveis sequelas.
Ambientes mais seguros
Embora não seja possível prever quando uma queda pode ocorrer, a adaptação do ambiente doméstico representa uma das principais medidas de prevenção. A instalação de tapetes antiderrapantes nos banheiros, de corrimãos em escadas e banheiros e de uma iluminação adequada, especialmente em áreas de circulação, como corredores e salas, é imprescindível nas moradias de idosos – especialmente aqueles com 80 anos ou mais. Além disso, a remoção de obstáculos no chão, como fios, móveis baixos, tapetes e objetos soltos, pode evitar tropeços.
Outro aspecto fundamental diz respeito à saúde do idoso. O fortalecimento muscular por meio da prática regular de atividades físicas, como caminhadas ou exercícios de equilíbrio, concorre para melhorar a estabilidade e diminuir o risco de quedas. A fisioterapia também é uma aliada importante, especialmente para idosos que já têm histórico de quedas ou problemas de mobilidade. Exames periódicos de visão e audição são igualmente essenciais, já que déficits sensoriais aumentam a chance de acidentes.
A conscientização de familiares e cuidadores também é importante. Manter uma supervisão permanente e orientar os idosos sobre os riscos de quedas, bem como incentivá-los a utilizar, quando necessário, equipamentos de apoio, como bengalas ou andadores, são ações preventivas que podem efetivamente salvar vidas.
Fique atento! Quedas, embora comuns, podem ser evitadas ou, ao menos, ter seus impactos reduzidos com procedimentos corretos e ação imediata!
