Saúde

Inteligência Artificial pode errar mais da metade dos diagnósticos médicos sugeridos

14 de setembro de 2026

A inteligência artificial já faz parte da rotina das pessoas e vem sendo utilizada para um número cada vez maior de tarefas, desde organizar informações até responder a dúvidas do dia a dia. Na área da saúde não é diferente: no Brasil, um estudo da plataforma Olá Doutor mostrou que 7 em cada 10 brasileiros recorreram à IA no último ano para tirar dúvidas sobre os sintomas e a identificação de possíveis doenças. No entanto, esse tipo de “consulta" exige atenção redobrada. O problema é que o fato de uma resposta ser apresentada de forma clara e segura nem sempre significa que ela esteja correta.

Uma pesquisa conduzida pelo ‘Lundquist Institute for Biomedical Innovation at Harbor’, vinculado à renomada universidade norte-americana UCLA, revelou dados alarmantes que ajudam a dimensionar esse risco. Os pesquisadores submeteram cinco sistemas de IA a uma bateria de 250 perguntas relacionadas a temas de saúde. No conjunto, as ferramentas acertaram pouco mais de 50% das questões. Além disso, entre as respostas consideradas erradas, 20% foram avaliadas como potencialmente perigosas para quem seguisse a orientação, um resultado descrito como “chocante” pelos pesquisadores.

Vale destacar, ainda, que o problema não reside apenas no diagnóstico incorreto de doenças. Outra pesquisa, realizada por médicos e cientistas da Escola de Medicina Icahn, do Hospital Mount Sinai, em Nova York, avaliou a capacidade da plataforma ‘ChatGPT Health’ de orientar usuários sobre a necessidade de atendimento médico de urgência. Em mais da metade dos casos considerados emergenciais pelos médicos, a ferramenta não recomendou atendimento imediato. Em situações que exigiam pronto-socorro, o sistema chegou a sugerir que a pessoa aguardasse e procurasse um médico posteriormente, em até 48 horas.

Tecnologia como apoio

Enquanto cada vez mais pacientes podem estar sendo levados a cometer enganos com o uso das inteligências artificiais para obtenção de informações médicas, nos consultórios brasileiros o uso da IA já é regulado por regras específicas. O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, em fevereiro deste ano, a Resolução nº 2.454/2026, que regulamenta a utilização desse tipo de tecnologia na prática médica. A norma estabelece que essas ferramentas podem ser utilizadas como forma de apoio ao diagnóstico, mas não podem substituir a decisão clínica e a responsabilidade do médico. A palavra final sobre diagnóstico, tratamento e prognóstico continua sendo uma atribuição exclusiva do profissional de saúde.

Para o paciente, a orientação é muito simples: a inteligência artificial pode ajudar a organizar informações, explicar termos médicos ou indicar dúvidas que podem ser levadas à consulta, mas jamais deve ser empregada como substituta de uma avaliação profissional.

Diante da ocorrência de sintomas novos, persistentes, intensos ou que causem preocupação, o caminho mais seguro continua sendo buscar atendimento médico profissional. A tecnologia pode até facilitar o acesso à informação, mas não deve, em nenhuma hipótese, ser a única fonte de orientação para a tomada de decisões que envolvem a sua saúde.