Saúde
A inesperada conexão entre saúde intestinal e saúde mental
21 de outubro de 2024
O intestino desempenha um papel central para a saúde mental humana, o que faz com que o órgão seja considerado pela medicina como um verdadeiro "segundo cérebro". Embora essa conexão possa parecer inusitada, a saúde intestinal e a saúde mental estão profundamente interligadas. O vínculo se estabelece por meio do sistema nervoso entérico, uma complexa rede neural que percorre todo o abdome, do esôfago ao reto. Esse sistema trabalha de forma autônoma, mas em constante comunicação com o sistema nervoso central, exercendo influência em aspectos essenciais do funcionamento do corpo e da mente.
A rede de neurônios presente no intestino, conhecida por regular a atividade endócrina e estimular o sistema imunológico, também age diretamente sobre o equilíbrio mental. Pesquisas recentes apontam que o intestino é responsável pela produção de neurotransmissores como a dopamina e a serotonina, fundamentais para o controle do humor e das emoções. Segundo estima o médico Júlio Barbosa Pereira, em entrevista ao portal Viva Bem, 50% da dopamina e 90% da serotonina do corpo são processadas no intestino, o que explica por que desequilíbrios intestinais podem desencadear sintomas como ansiedade, depressão e baixa autoestima.
Insônia pode ser um dos efeitos
Quando o intestino enfrenta desequilíbrios, como infecções ou disbiose (um desajuste na microbiota intestinal), o impacto na saúde mental pode ser realmente significativo. Um exemplo é a insônia, frequentemente associada à disbiose. Estudos também sugerem que problemas intestinais podem agravar doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e AVC, e influenciar até mesmo a desregulação de transtornos crônicos, como o autismo. Essa relação se dá porque o intestino afeta diretamente a produção de neurotransmissores essenciais ao funcionamento cerebral.
Além das doenças mentais, o estresse e a insônia podem estar intimamente relacionados com a saúde intestinal. Quando o intestino está em desequilíbrio, o órgão envia sinais ao cérebro que podem intensificar os níveis de estresse, contribuindo para noites “mal dormidas” e para o aumento da irritabilidade. O impacto desses fatores na vida cotidiana de pessoas idosas, que já lidam com mudanças naturais no corpo e no humor, pode ser ainda mais acentuado, o que torna o cuidado com o intestino uma prioridade.
A boa saúde começa pela dieta
Para garantir uma boa saúde intestinal e, consequentemente, mental, é importante adotar algumas práticas diárias. Manter uma dieta balanceada, rica em fibras e probióticos, ajuda a equilibrar a microbiota intestinal. Além disso, o acompanhamento médico é essencial para identificar e tratar desconfortos constantes, assim como os sinais de disbiose. Por fim, a prática de exercícios físicos regulares não apenas contribui para o bom funcionamento do intestino, como também ajuda a reduzir o estresse, promovendo o bem-estar geral.
O cuidado com o funcionamento intestinal, portanto, vai muito além da função digestiva. Para idosos, a manutenção de um intestino saudável se torna ainda mais importante, já que impacta diretamente a qualidade de vida e a saúde mental.
