O medicamento donanemabe, desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, conhecido comercialmente como Kisunla, começou a ser administrado no Brasil a pacientes com Alzheimer. A novidade ocorre após aprovação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), no fim de julho. O tratamento é indicado apenas para as fases iniciais da doença, em casos de comprometimento cognitivo leve (quando não há perda funcional significativa) gerados pelo Alzheimer. Embora não possa ser compreendido como uma “cura”, o Kisunla pode retardar a progressão da doença, assegurando mais qualidade de vida e tempo de autonomia para os pacientes.
O remédio é um anticorpo desenvolvido para agir diretamente sobre um dos principais marcadores da doença: as placas de proteína amiloide que se acumulam no cérebro. Após a aplicação, a substância circula na corrente sanguínea até encontrar essas placas, promovendo uma reação inflamatória controlada, que ajuda a eliminar essas proteínas do cérebro, retardando assim o avanço do Alzheimer. Segundo a farmacêutica Eli Lilly, nos estudos clínicos o medicamento conseguiu retardar em até 35% o declínio cognitivo de pacientes. Em abril deste ano, quando a Anvisa autorizou a sua comercialização, já havíamos noticiado em nosso boletim os resultados promissores dessa medicação, com mais detalhes científicos sobre o seu funcionamento (veja aqui).
Como está funcionando a aplicação do Kisunla
O protocolo aprovado pela Anvisa estabelece uma administração progressiva da medicação. Nos três primeiros meses, o paciente recebe duas ampolas por mês, cada uma com custo estimado entre R$ 5 mil e R$ 6 mil, o que pode totalizar até R$ 12 mil mensais. A partir do quarto mês, a frequência passa para quatro ampolas, mantendo-se até o 18º mês, quando o ciclo geralmente é encerrado. Assim, nessa segunda fase o custo mensal da terapia intravenosa pode variar de R$ 20 mil a R$ 24 mil.
No Sistema Único de Saúde (SUS), ainda não há previsão para a incorporação do donanemabe. Atualmente, há outros medicamentos disponíveis para o tratamento de Alzheimer, como a donepezila, a rivastigmina e a galantamina, além da memantina, que atuam modulando neurotransmissores para aliviar os sintomas da doença.
É importante destacar que o Kisunla é indicado apenas para pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência inicial leve provocados pelo Alzheimer. O uso é contraindicado para quadros moderados da doença, assim como para pacientes com histórico de hemorragias ou edemas cerebrais. Antes da aplicação, uma série de exames, incluindo testes genéticos, deve ser realizada para verificar se o paciente é elegível para o tratamento.
Apesar dos desafios de acesso e do alto custo, a chegada do donanemabe ao Brasil representa um passo importante no cuidado com o Alzheimer, trazendo esperança de mais tempo de lucidez e independência para quem enfrenta essa dura jornada!