Vacinas salvam

Totalidade dos mortos por covid e gripe é de não vacinados em Porto Alegre

9 de junho de 2025

Cobertura vacinal segue aquém do ideal, enquanto o Brasil sofre com o aumento de casos graves e de óbitos entre os não imunizados.

Em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, a totalidade dos óbitos registrados por Covid-19 e Influenza entre janeiro e maio de 2025 ocorreram em pessoas que não haviam sido vacinadas. A informação, divulgada pela Diretoria de Vigilância em Saúde do município no final de maio, reforça a certeza sobre a eficácia dos imunizantes disponíveis, ao mesmo tempo em que evidencia os riscos provocados pela baixa cobertura vacinal.

O cenário observado na capital gaúcha reflete uma tendência nacional preocupante. De acordo com o Ministério da Saúde, a campanha de vacinação contra a gripe ainda não atingiu a meta mínima de cobertura de 90% junto aos grupos prioritários. Em 2025, até o momento, apenas cerca de 32% de crianças, idosos e gestantes - grupos mais vulneráveis à doença - receberam a vacina contra o vírus Influenza. A baixa adesão compromete a proteção coletiva, aumenta a circulação viral e eleva seriamente o risco de agravamento dos quadros desenvolvidos por pessoas mais suscetíveis.

Enquanto o nível de vacinação desacelera, os indicadores epidemiológicos revelam um aumento da gravidade dos quadros respiratórios. Segundo o Ministério da saúde, os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) estão em alta em mais de 20 estados do Brasil. No Rio de Janeiro, a Secretaria Estadual de Saúde emitiu um alerta para o crescimento das internações por gripe. Apenas no mês de maio, os casos de SRAG aumentaram em 85%, tendo sido registradas, em média, oito mortes por semana. O estado fluminense registra uma cobertura vacinal de apenas 17,5% entre os grupos prioritários, o que evidencia a correlação entre a baixa adesão à vacinação e o aumento nos quadros graves.

Nova diretriz amplia o acesso a imunizantes

Neste ano, a estratégia nacional de vacinação passou por mudanças importantes. Tanto a vacina contra a Covid-19 quanto a vacina contra a gripe passaram a ser disponibilizadas de forma ampliada nos postos de saúde, para toda a população a partir de seis meses de idade. Anteriormente, a vacina contra a gripe permanecia disponível apenas durante o período das campanhas, que se restringiam a alguns meses.

A recomendação do Ministério da Saúde é que idosos recebam duas doses anuais da vacina contra a Covid-19. Já pessoas imunocomprometidas, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, trabalhadores da saúde, gestantes, puérperas e pessoas com deficiência, entre outros, devem receber uma dose anualmente. Para o vírus Influenza, a indicação é de uma dose ao ano para todos os indivíduos, com foco especial nos públicos de maior risco.

As vacinas podem ser administradas simultaneamente, sem prejuízo à eficácia ou aumento do risco de eventos adversos. E mesmo aqueles que nunca iniciaram o esquema vacinal da Covid-19, assim como os que se encontram com doses em atraso desde o período da pandemia, podem (e devem) ser vacinados agora. O mais importante, segundo especialistas, é estar protegido com o esquema de imunização completo e atualizado.

As vacinas representam um instrumento comprovadamente eficaz para a prevenção de formas graves das doenças respiratórias. Quem se protege, protege a todos! Manter-se vacinado, mais do que uma atitude de responsabilidade individual, é um gesto de cuidado e respeito com toda a coletividade.