Brasil registra aumento dos casos de febre oropouche

27 de maio de 2024

O Brasil enfrenta um aumento alarmante dos casos de febre oropouche, uma doença viral transmitida por mosquitos, assim como a dengue. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde, no dia 14 de maio, mostram um crescimento significativo do número de infecções, com mais de 5.000 casos confirmados da doença – um número seis vezes maior do que o registrado ao longo de todo o ano de 2023. A maior parte das ocorrências está concentrada nos estados do Amazonas e de Rondônia, regiões que historicamente registram mais casos da doença.

Um dado preocupante, trazido à luz este ano, é que a febre oropouche, que era considerada endêmica apenas no Norte do país, agora foi identificada em todas as demais regiões do Brasil. Na Bahia, por exemplo, especialistas avaliam que a doença também já tenha se tornado endêmica, considerando o alto número de casos diagnosticados. Isso aumenta a preocupação sobre a disseminação da febre oropouche em nível nacional, evidenciando a capacidade do vírus de se adaptar a novos ambientes e, portanto, a necessidade urgente da adoção de ações coordenadas para o seu controle efetivo.

De onde vem e como se manifesta a febre oropouche?

A febre oropouche é uma arbovirose, ou seja, uma doença viral transmitida por mosquitos. No caso do vírus Oropouche, a transmissão acontece através do mosquito Culicoides Paraensis, conhecido popularmente como maruim ou mosquito-pólvora. Descoberto na década de 1950, o vírus foi inicialmente identificado na região amazônica do Brasil e tem representado uma preocupação recorrente em áreas tropicais da América do Sul e Central. O aumento recente dos casos no Brasil pode estar relacionado a fatores como desmatamento, urbanização desordenada e mudanças climáticas, que ampliam o habitat dos mosquitos transmissores.

Os principais sintomas incluem febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulares, além de uma sensação de mal-estar generalizado. Em alguns casos, podem ocorrer náuseas, vômitos e fotofobia. A boa notícia é que, embora os sintomas sejam similares aos de outras arboviroses, como dengue e zika, a febre oropouche não costuma evoluir para formas graves ou hemorrágicas – a maioria dos pacientes se recupera em cerca de uma semana, embora a fadiga possa persistir por um período mais prolongado. O tratamento médico do quadro envolve apenas o alívio sintomático com o uso de analgésicos, além de recomendações de repouso e hidratação adequados. Em casos mais severos, podem ocorrer complicações neurológicas, o que é considerado raro por especialistas.

Prevenir é o melhor remédio

Assim como no caso de outras arboviroses, prevenir a febre oropouche envolve, principalmente, evitar picadas de mosquitos. Algumas medidas eficazes incluem o uso de repelentes, manter portas e janelas fechadas ou instalar telas de proteção, de modo a impedir a entrada de mosquitos nas residências, além de evitar o acúmulo de água parada em recipientes como vasos de plantas, pneus velhos e garrafas, potenciais criadouros de mosquitos.

Diante da batalha contínua contra a dengue, já adquirimos uma valiosa experiência que nos ensinou a importância da prevenção contra arboviroses transmitidas por mosquitos. A chegada da febre oropouche apenas reforça a importância das medidas de prevenção que já conhecemos.