2024: resultados bem abaixo da meta

Participantes mostram preocupação com performance dos investimentos do SERPROS

10 de fevereiro de 2025

Nas últimas semanas, a Diretoria de Investimentos do SERPROS apresentou, no site e no canal no YouTube do Fundo, os resultados obtidos quanto à rentabilidade dos planos de benefícios em 2024. Em vídeo no YouTube, o diretor de Investimentos Leonardo Dias abordou "os desafios enfrentados, as realizações que deram resultados positivos e, por fim, as estratégias de investimentos para 2025", segundo a descrição do canal do Fundo.

Na última edição do Boletim ASPAS, fizemos um resumo do material publicado pelo SERPROS, ilustrando nossa matéria com o quadro dos resultados obtidos em 2024 no SERPROS (que repetimos aqui). De todos os planos, apenas o Ser+ obteve uma rentabilidade que se aproximou da meta. O Ser+, no entanto, representa menos de 0,3% do patrimônio total do SERPROS.

Rentabilidades muito abaixo da meta atuarial

A ASPAS recebeu manifestações dos participantes, tanto aposentados quanto da ativa, preocupados com os números apresentados. Afinal, diante de uma meta atuarial de 10,17% para todos os planos, o PS-I (BD), por exemplo, conseguiu 6,05% de rentabilidade no resultado contábil de 2024. Numa conta grosseira, mas não muito distante da realidade, com um patrimônio na ordem de R$ 2 bilhões e 910 milhões, essa diferença entre a meta e o resultado atingido, que foi de 4,12% a menor, representa quase R$ 120 milhões a menos no caixa do PS-I para honrar seus compromissos futuros.

No caso do PS-II, não é muito diferente. Para a mesma meta atuarial (10,17%), o PS-II BD obteve apenas 4,75% de rendimento em seus investimentos, enquanto o PS-II CD não passou de 3,80% em 2024. Ora, o patrimônio total do PS-II gira um pouco acima de R$ 5 bilhões e 654 milhões. Uma diferença de, no mínimo, 5,42% de rendimento não obtido representa uma importância superior a R$ 306 milhões.

Questionamentos da Comissão Técnica da ASPAS serão enviados em ofício ao SERPROS

É natural que a rentabilidade obtida varie um pouco, a cada ano, seja para cima ou para baixo, em relação à meta atuarial. No entanto, os participantes destacam que essa variação costuma ser pequena e que, em 2024, esses números foram excessivamente distantes, abrindo um fosso perigoso em nosso patrimônio.

Instada pela preocupação dos participantes, a Comissão Técnica da ASPAS analisou, no último dia 5, a apresentação do Diretor de Investimentos do SERPROS, Leonardo Dias, sobre os rendimentos dos planos em 2024. Especialmente o que disse em vídeo, quando deu notícia de alterações nos gestores (corretoras) e também na gerência da estratégia de investimentos, mas não entrou em detalhes, principalmente sobre as novas estratégias que pretende implantar.

A fim de acompanhar com mais profundidade essa questão, a Comissão Técnica da ASPAS busca obter informações adicionais, que serão solicitadas esta semana em ofício da ASPAS ao SERPROS. Estamos certos de que a transparência ajudará os participantes a entenderem o assunto, que é muito sério e diz respeito ao nosso patrimônio.

Composição

Os atuais integrantes da Comissão Técnica da ASPAS são:
Naévio Tavares Rangel (coordenador), Orlando Orofino, Armando de Almirante Frid, Rogério da Silva Porto, Maria das Graças Amora, Júlio Cesar Maia Pinto Guedes e o presidente da ASPAS Paulo Barbosa Coimbra.