A Ciência avança na luta contra o Alzheimer

26 de fevereiro de 2024

Muitos têm sido os esforços científicos para encontrar métodos eficazes para o tratamento da Doença de Alzheimer (DA), transtorno que afeta a memória e compromete a autonomia de mais de 55 milhões de pessoas em todo o mundo – e que, atualmente, é considerada incurável. Neste contexto, pesquisadores do “Instituto Buck de Pesquisa sobre Envelhecimento”, nos Estados Unidos, identificaram uma proteína capaz de reconstruir as conexões entre os neurônios, permitindo assim a formação e a recuperação da memória. O método alternativo se diferencia da maior parte dos estudos científicos atuais sobre tratamentos contra o Alzheimer e pode modificar o rumo das pesquisas sobre a doença.

E o que é mais interessante: a pesquisa do Instituto Buck aponta que a cura para o Alzheimer pode estar em nosso próprio organismo. Isso porque a proteína que demonstrou potencial de recuperar a memória, chamada KIBRA, é naturalmente encontrada nos rins e no cérebro. A KIBRA atua nas sinapses, conexões que permitem a comunicação dos neurônios – e, justamente por isso, tem relação direta com a formação de memórias.

Em estudo com pacientes que sofrem de Alzheimer, os pesquisadores do Instituto Buck identificaram uma correlação direta entre a presença de baixos níveis de KIBRA no cérebro e a manifestação da doença. Em um segundo momento, os cientistas criaram uma versão laboratorial da proteína e, na primeira etapa de testes com camundongos, puderam identificar que ela é, de fato, capaz de restaurar a perda de sinapses cerebrais desencadeada pelo Alzheimer.

O resultado é promissor, mas o estudo ainda deve avançar

Vale destacar, no entanto, que apesar de verdadeiramente fantástica, a descoberta da KIBRA como ferramenta na luta contra o Alzheimer ainda deverá ser submetida a muitas etapas de pesquisa antes que possa ser reconhecida efetivamente como um tratamento. “O que identificamos é um mecanismo que poderia ser direcionado para reparar a função sináptica, e agora estamos tentando desenvolver uma terapia baseada neste trabalho”, afirmou Grant Kauwe, coautor do estudo. Além disso, ainda deve levar alguns anos até que o uso do tratamento possa ser testado em humanos.

Vale ainda ressaltar que, embora a KIBRA tenha demonstrado potencial para reverter os danos causados pelo Alzheimer, o transtorno também se correlaciona com a presença de outras proteínas tóxicas no cérebro – aspecto que a KIBRA não demonstra capacidade de solucionar. Assim, explicam os responsáveis pela pesquisa, caso seja realmente desenvolvido, o tratamento deve se concentrar na contenção dos danos à memória: “nosso trabalho apoia a possibilidade de que a KIBRA possa ser usada como terapia para melhorar a memória após o início de sua perda, mesmo que a proteína tóxica que causou o dano permaneça presente”, informa o cientista.