Saúde
Atenção: o “médico” que aparece na rede social pode ser apenas IA
28 de setembro de 2026
Um rosto comum e orientações bem detalhadas sobre saúde podem parecer suficientes para transmitir confiança nas redes sociais. Mas, em alguns casos, o especialista que aparece diante da câmera sequer existe. É o que mostra um levantamento recente do Ministério da Saúde que, apenas no primeiro semestre de 2026, identificou 97 perfis que fazem uso da inteligência artificial (IA) para “dar vida” a médicos e outros profissionais de saúde. E, o que é pior: os conteúdos analisados normalmente se valem de falsas credenciais (como supostas formações e especializações em universidades de renome), promessas de cura e indicação de tratamentos sem nenhuma comprovação científica.
A investigação foi realizada pelo programa Saúde com Ciência. Segundo o Ministério da Saúde, os perfis identificados acumulam milhões de visualizações, o que indica que são responsáveis pela disseminação de informações falsas – e potencialmente muito perigosas – entre um número considerável de pessoas. A veiculação de vídeos é motivo de grande preocupação, já que as orientações prestadas, muitas vezes com o único objetivo de comercializar produtos falsos, podem influenciar diretamente nas decisões de quem acessa esse tipo de conteúdo. Entre os riscos apontados pelo Ministério estão a automedicação, a adesão a tratamentos sem comprovação, o atraso na procura por atendimento e a interrupção de terapias reconhecidas, indicadas por profissionais de saúde.
Os casos foram encaminhados à Advocacia-Geral da União (AGU), à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina. A AGU pediu a remoção dos vídeos às respectivas plataformas em que foram encontrados, além da devida rotulagem e contextualização dos conteúdos que apresentam personagens criados por IA como se fossem profissionais de saúde verdadeiros.
“Gurus” também são criados por IA
Vale destacar que a situação não envolve apenas os falsos médicos. No último mês, a Anvisa também fez um alerta sobre “gurus” criados por inteligência artificial que aparecem nas redes sociais vendendo soluções e produtos para a saúde e o bem-estar. Alguns desses personagens já reúnem milhares de seguidores. De acordo com a agência, os conteúdos divulgam a venda de livros digitais com receitas comumente apresentadas como “milagrosas” ou como “segredos escondidos por décadas”. As publicações, no entanto, não têm autoria humana.
Uma das contas citadas pela Anvisa acumula nada menos que 600 mil seguidores e tem como protagonista uma senhora indígena criada por IA. O livro de receitas vendido pela personagem promete “devolver a saúde de qualquer pessoa em 7 dias”. Para a Anvisa, promessas desse tipo podem fazer com que o indivíduo deixe de procurar atendimento adequado e atrase o diagnóstico ou o tratamento de um problema de saúde. A agência também alerta que produtos naturais e receitas caseiras não são necessariamente seguros e não devem, portanto, ser apresentados como capazes de curar doenças.
Como reconhecer um personagem de IA?
Identificar um personagem criado por IA pode não ser tão simples, especialmente porque esse tipo de conteúdo é produzido justamente para simular uma gravação comum. Alguns detalhes, porém, podem denunciar a manipulação. Entre eles, estão os movimentos repetitivos das mãos, a falta de sincronia entre o áudio e o vídeo, a voz robotizada e as alterações estranhas em objetos que compõem o cenário.
Outra medida válida é pesquisar quem está por trás do perfil. Quando alguém se apresenta como médico ou outro profissional de saúde, é possível verificar sua formação e seu registro junto ao conselho profissional correspondente. Promessas de cura rápida, receitas “secretas” ou tratamentos que servem para qualquer pessoa também são sinais de alerta. Antes de seguir uma orientação encontrada nas redes, vale sempre conferir a fonte e buscar informações com outros profissionais.
Nos dias de hoje, é fundamental navegar pelas redes sempre de forma atenta e cuidadosa, sem jamais perder de vista que nem tudo que aparece na tela é confiável e corresponde à realidade.
