O Dia Mundial do Lúpus, que ocorre a cada 10 de maio, é uma data fundamental para a ampliação do conhecimento sobre essa doença autoimune que permanece pouco compreendida. Ainda subdiagnosticada, a enfermidade pode provocar sérias consequências quando não é identificada e tratada adequadamente. Apenas nas últimas duas décadas, foram registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) mais de 24 mil óbitos relacionados ao lúpus. A dimensão desse número mostra que a conscientização desempenha um papel central no combate aos impactos da doença sobre a saúde pública, tendo em vista a importância do diagnóstico precoce para a preservação da qualidade de vida dos pacientes.
Sintomas
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), ou simplesmente lúpus, é uma doença inflamatória crônica em que o sistema imunológico ataca células e tecidos saudáveis do próprio organismo. Essa reação afeta, principalmente, a pele, os rins, o cérebro, os pulmões e as articulações. Os sintomas do lúpus são diversos e podem variar bastante de paciente para paciente, o que dificulta o diagnóstico e, em muitos casos, retarda o início do tratamento.
Entre os sinais mais comuns podem ser citadas as dores nas articulações, fadiga intensa, febre, perda de peso e queda de cabelo. Um dos sinais mais característicos é a vermelhidão na pele do rosto, em forma de uma "asa de borboleta" que cobre o nariz e as bochechas. Também é comum o aparecimento de lesões ou edemas cutâneos, a sensibilidade à luz solar e as inflamações em órgãos internos, como rins e pulmões.
Panorama brasileiro da doença
De acordo com estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), entre 150 mil e 300 mil pessoas convivem com o lúpus no Brasil. Embora possa surgir em pessoas de qualquer idade, sexo ou etnia, a doença se manifesta com maior frequência em mulheres entre 20 e 45 anos - grupo responsável por nada menos que 90% dos diagnósticos da doença registrados pelo SUS entre 2000 e 2019.
Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) mostram que, entre os anos de 2000 e 2019, foram registrados 24.029 óbitos relacionados à doença. As principais causas de morte foram as infecções, seguidas por complicações cardiovasculares e renais. A maior parte dessas mortes vitimou pacientes entre 19 e 50 anos de idade, em contraste com a média da população geral, em que os óbitos costumam ocorrer após os 50 anos.
Não há cura, mas existem tratamentos
Embora o lúpus não tenha cura, especialistas afirmam que o tratamento adequado permite o controle dos sintomas e a prevenção de danos mais graves - e justamente por isso é fundamental buscar um reumatologista caso os sinais da doença se manifestem. O acompanhamento médico regular, o uso controlado de medicamentos e a adoção de um estilo de vida saudável (com alimentação equilibrada, prática de exercícios e controle de fatores como obesidade, hipertensão e colesterol) são essenciais para evitar complicações e manter a doença sob controle.
Neste Dia Mundial do Lúpus, a mensagem é muito clara: espalhar informação salva vidas! Com conhecimento, apoio e cuidado, é possível viver com lúpus e seguir em frente!