Saúde

Incontinência urinária é comum, mas muitas pessoas ainda não buscam tratamento

17 de agosto de 2026

Perder urina involuntariamente, seja ao tossir, espirrar, rir ou fazer esforço é mais comum do que muitas pessoas imaginam. A incontinência urinária pode afetar todos os gêneros e faixas etárias e se manifestar de diferentes formas (desde pequenos escapes até perdas mais frequentes), mas, em geral, a condição é mais comum entre as mulheres. Uma pesquisa realizada pela Ipsos a pedido da Apsen mostra que 56% das brasileiras acima dos 40 anos convivem com a incontinência urinária. O número revela a dimensão do problema e reforça a importância de reconhecer os escapes como um problema de saúde que pode, e deve, ser investigado e tratado.

O levantamento também revela o quanto a condição ainda é pouco enfrentada. Segundo o estudo, 87% das mulheres com incontinência urinária nunca receberam cuidados específicos para o quadro. A dificuldade de falar sobre o assunto chega também aos consultórios: entre as mulheres com mais de 50 anos, 64% dizem ter dificuldade de abordar a incontinência, inclusive com profissionais de saúde.

Por que a incontinência acontece?

A incontinência urinária pode ter diferentes causas e não deve ser considerada uma consequência inevitável do envelhecimento. Entre as mulheres, ela é mais frequente porque fatores como gravidez, parto, menopausa e o próprio avançar da idade podem afetar os músculos do assoalho pélvico, responsáveis, entre outras funções, por ajudar a controlar a saída da urina. Mas vale ressaltar que o problema também pode acometer homens, principalmente em situações relacionadas a alterações da próstata, além de doenças ou condições que afetam os músculos, nervos e estruturas responsáveis pelo controle da bexiga.

Por isso, identificar o tipo de incontinência é fundamental para definir o tratamento mais adequado. A avaliação deve ser conduzida por um urologista ou ginecologista, que investigará as causas e indicará a melhor estratégia para cada caso.

Longe de tabus, tratamentos existem e são eficazes

Embora os dados indiquem uma lacuna significativa na busca por auxílio médico em casos de incontinência urinária, o problema não deve ser encarado como uma condição irreversível, com a qual é inevitável conviver. Uma das principais alternativas para tratar o quadro, inclusive, não exige qualquer medicação: a fisioterapia do assoalho pélvico trabalha o fortalecimento e o controle da musculatura necessários à continência urinária.

Dependendo da causa, também podem ser indicados medicamentos e mudanças de hábitos, sempre com orientação profissional. Para alguns casos de bexiga hiperativa, a aplicação de toxina botulínica, conhecida como botox, diretamente na bexiga, pode ser uma opção. O procedimento ajuda a reduzir as contrações involuntárias do órgão e pode diminuir a frequência e a urgência para urinar.

Quando os tratamentos menos invasivos não apresentam resultado efetivo, também existem opções cirúrgicas. As técnicas variam de acordo com o tipo de incontinência e podem corrigir alterações que dificultam o controle da urina. Em muitos casos, a cirurgia apresenta bons resultados, mas a indicação depende de uma avaliação individualizada.

O mais importante é não se limitar a adaptar a vida para conviver com os escapes como algo inevitável. Existem muitas formas de investigar a incontinência urinária e tratá-la. Procurar ajuda é o primeiro passo para recuperar a segurança e a liberdade no dia a dia.