Engasgos fazem milhares de vítimas fatais no Brasil

25 de março de 2024

A recente morte de Wilson Fittipaldi Jr, célebre ex-piloto da Fórmula 1, em consequência de uma parada cardíaca, após engasgar-se com um pedaço de carne, trouxe à tona novamente a urgência da conscientização sobre o imenso perigo representado pelos engasgos e a importância do conhecimento em primeiros socorros para lidar com essa situação crítica.

Os dados do Ministério da Saúde são realmente alarmantes: somente no ano de 2023, cerca de 2.000 pessoas perderam a vida no Brasil devido a engasgos. E o que é ainda mais preocupante, a maioria dessas vítimas foram bebês e idosos, grupos que são mais suscetíveis a esse tipo de acidente. Mais da metade das vítimas tinha 65 anos ou mais, e 319 crianças com idades entre 0 e 4 anos perderam suas vidas de forma trágica, devido a engasgos.

O engasgo, clinicamente denominado obstrução das vias aéreas por corpos estranhos (OVACE), é desencadeado quando objetos ou alimentos obstruem o trajeto normal da respiração, comprometendo a passagem do ar para os pulmões. Essa ocorrência pode resultar em sintomas como tosse intensa e dificuldade respiratória. Em situações mais críticas, pode culminar em asfixia, representando um risco potencialmente fatal para a vítima.

É importante ressaltar que o engasgo pode acontecer não apenas por ingestão ou aspiração acidental de alimentos, mas também como resultado de problemas gastrointestinais, respiratórios e neurológicos, sendo muitas vezes um sintoma de alerta para condições médicas subjacentes. O engasgo é um dos principais sinais de alerta para a disfagia, que é a dificuldade de engolir desde alimentos sólidos até a própria saliva. A doença afeta uma em cada 50 pessoas no Brasil, sendo mais comum entre os idosos.

A importância dos primeiros socorros e da “manobra de Heimlich”

Em casos de engasgamento, agir rapidamente é determinante para salvar vidas. Primeiro, verifique se a pessoa continua conseguindo respirar, mesmo que com dificuldade. Se estiver, a orientação é levá-la o mais prontamente possível para um atendimento médico. Já em casos em que a vítima tem a respiração totalmente obstruída, a “manobra de Heimlich” é uma técnica de primeiros socorros amplamente reconhecida para desobstruir as vias respiratórias em pessoas conscientes e que pode ser aplicada por qualquer um, mesmo sem formação médica.

Confira os passos para realizar a manobra, que são simples e podem salvar vidas. As informações são da plataforma Viva Bem:

Para adultos:

  • Posicione-se por trás da vítima;
  • Enlace-a pouco acima do umbigo, na altura do estômago;
  • Aplique pressão abdominal para dentro e para cima, com movimentos rápidos e firmes;
  • Repita até que a obstrução seja expelida e a vítima consiga respirar normalmente.

Para crianças menores de um ano:

  • Coloque o bebê de bruços em seu antebraço, apoiando-o em seu joelho;
  • Com a cabeça mais baixa que o corpo, dê cinco tapas firmes nas costas, entre as omoplatas;
  • Vire o bebê de frente para você, segurando-o com firmeza;
  • Com dois dedos, aplique cinco compressões rápidas e fortes no meio do peito, logo abaixo da linha dos mamilos;
  • Repita alternadamente até que a obstrução seja expelida e a respiração normalizada.

Em casos de pessoas que estão sozinhas:

  • Coloque o seu punho acima do umbigo e segure com a outra mão;
  • Jogue o corpo sobre as costas de uma cadeira ou uma bancada, apertando o seu punho em direção a si mesmo com um impulso para cima;
  • Se não conseguir, faça o movimento sem o uso das mãos, diretamente na cadeira ou balcão.

Vale ressaltar que conhecer a técnica é importante para situações de emergência, mas antes da sua realização é importante pedir auxílio de um serviço de urgência local ou do SAMU (disque 192) pelo telefone, mesmo para quem já conheça de cor o procedimento. Eles acompanharão a realização da manobra à distância, enquanto o auxílio médico se encaminha até o local.

A tragédia envolvendo Wilson Fittipaldi Jr. serve como um lembrete doloroso sobre os perigos representados pelos engasgos e a necessidade premente de se disseminar mais conhecimento sobre primeiros socorros. A conscientização e a preparação são fundamentais para lidar com essa situação crítica, garantindo que vidas sejam salvas e que tragédias evitáveis sejam prevenidas.