Saúde

Idosos passam mais tempo diante de telas do que jovens

1º de dezembro de 2025

O mundo nunca esteve tão conectado – e, ao contrário do que se imagina, não são apenas os jovens que passam horas diante das telas. Um levantamento divulgado pela ’The Economist’ revelou que os adultos com mais de 60 anos são hoje o grupo etário que mais tempo dedica ao uso de dispositivos digitais, superando os mais jovens. O resultado surpreende em um cenário em que o debate sobre o vício em tecnologia costuma se concentrar nas novas gerações, o que deixa em segundo plano uma tendência crescente: a hiperconectividade entre os idosos.

O aumento do tempo de exposição às telas nesta faixa etária reflete uma mudança mais profunda de hábitos entre os mais velhos. A internet, que antes era percebida como um território distante, passou a ocupar um papel central no dia a dia das pessoas, seja para manter contato com familiares, assistir a vídeos, ler notícias, participar de grupos virtuais ou simplesmente preencher o tempo livre. Embora o uso moderado da tecnologia traga inegáveis benefícios, a exposição excessiva ao meio digital pode gerar impactos severos sobre a saúde física e mental.

Prejuízo à saúde

O uso prolongado de telas gera efeitos que atingem todas as faixas etárias, mas exerce impacto ainda maior sobre os idosos. O sedentarismo e a postura incorreta ao manejar o celular ou o tablet por longos períodos favorecem o surgimento de dores musculares e articulares, especialmente no pescoço, nos ombros e punhos. Além disso, o isolamento social pode se intensificar quando o contato presencial é substituído pelo digital, o que contribui para o agravamento dos sintomas de ansiedade e depressão. O estresse causado pelo bombardeio de informações, muitas vezes negativas e até mesmo exageradas ou falsas, que faz parte do universo das redes, pode até mesmo acentuar os sintomas de doenças crônicas, como a hipertensão.

Outro ponto de atenção é o efeito das telas sobre a memória, a concentração e o sono. A luz azul emitida pela tela de celulares e computadores interfere na produção de melatonina, hormônio essencial para o adormecer, tornando o descanso mais superficial. Como o envelhecimento já tende a reduzir naturalmente a qualidade do sono, a recomendação é evitar o uso de aparelhos eletrônicos pelo menos duas horas antes de dormir, permitindo que o corpo descanse melhor e atinja seu pico de melatonina.

É possível fazer uso positivo da tecnologia

É importante ponderar que, quando usados com moderação, os dispositivos digitais podem se converter em importantes aliados na terceira idade. Eles facilitam a comunicação com familiares e amigos, permitem o acesso permanente a informações e estimulam a mente por meio de jogos, podcasts e vídeos educativos. O segredo está na moderação, em estabelecer pausas, limitar o tempo de navegação e escolher conteúdos confiáveis e de qualidade.

Adotar estratégias simples, como reservar horários específicos para a utilização das telas e realizar pausas após cada hora contínua de uso, bem como priorizar atividades realizadas fora do ambiente digital e participar de grupos de convivência, pode reduzir o tempo despendido online e evitar o isolamento.

Com moderação, bom senso e um pouco de disciplina, a tecnologia, longe de uma vilã, passa a ser uma grande aliada na conquista de uma vida mais saudável pelos mais velhos!