Saúde

Queimadas: como a fumaça afeta nosso organismo

23 de setembro de 2024

A poluição atmosférica no Brasil, intensificada pelas queimadas que cobrem agora de fumaça mais de 60% do território nacional, segundo dados do Governo Federal, tem causado grande preocupação entre os especialistas. Exemplo da gravidade da situação, recentemente a cidade de São Paulo apresentou a pior qualidade de ar entre as grandes metrópoles de todo o mundo, segundo a agência IQAir, episódio que se repetiu algumas vezes no início de agosto. O aumento da poluição atmosférica traz consigo uma série de complicações para a saúde que, para além dos sintomas respiratórios mais comumente associados ao problema, agrava doenças crônicas preexistentes e afeta também outros órgãos, como o coração e o cérebro.

A fumaça gerada pelas queimadas contém uma mistura de gases e partículas finas, como o “material particulado” (MP2.5), extremamente prejudicial à saúde. Ao ser inalado, esse tipo de poluente irrita as vias respiratórias e causa desconforto imediato, que pode se estender posteriormente provocando ardor nos olhos, nariz e garganta, além de tosse seca e cansaço. Pessoas com doenças respiratórias preexistentes, como asma e bronquite, são as mais afetadas, com o aumento da frequência e da intensidade das crises durante os períodos de alta da poluição. Esses sintomas são comuns a toda a população exposta a ambientes com baixa qualidade do ar, mas entre os idosos o impacto pode ser ainda mais severo. Isso porque, com o envelhecimento, o sistema respiratório tende a se tornar menos eficiente, o que dificulta a eliminação das partículas tóxicas inaladas pelo organismo.

Prejuízos não são apenas respiratórios

Os problemas de saúde decorrentes da exposição prolongada à fumaça não se restringem aos pulmões. A poluição do ar aumenta o risco de doenças cardiovasculares, como arritmia, hipertensão e infarto do miocárdio, já que as partículas tóxicas inaladas entram na corrente sanguínea, favorecendo a inflamação e o estresse oxidativo. Esse processo pode prejudicar os vasos sanguíneos e o coração e, ao comprometer a circulação sanguínea e aumentar a pressão arterial, eleva substancialmente o risco de ocorrência de eventos graves, como um AVC.

Pesquisas apontam ainda que a exposição prolongada a substâncias poluentes pode acelerar o desenvolvimento de condições crônicas, a exemplo da arteriosclerose, que compromete a circulação sanguínea e impacta diretamente a qualidade de vida de idosos. O risco de desenvolvimento de câncer de pulmão é outra ameaça preocupante relacionada à poluição do ar, assim como até mesmo um possível aumento na ocorrência de abortos espontâneos em mulheres grávidas.

Como mitigar impactos

É importante destacar que, mesmo em ambientes internos, a qualidade do ar não é necessariamente melhor. Segundo especialistas, em residências próximas a vias movimentadas, a quantidade de partículas nocivas inaladas no ambiente pode gerar efeito equivalente ao de se fumar três cigarros por dia. Esse dado é particularmente alarmante, considerando que é em casa que muitas pessoas buscam refúgio durante os períodos de grande poluição externa.

Para mitigar os efeitos da fumaça, é essencial adotar medidas de prevenção. Em ambientes internos, é recomendável manter janelas fechadas e utilizar purificadores de ar que ajudam a reduzir a concentração de partículas nocivas. A hidratação também desempenha um papel fundamental, uma vez que beber água frequentemente ajuda a manter as mucosas umedecidas, o que alivia os sintomas de irritação. Quem experimentar sintomas mais acentuados, pode também fazer inalações, como forma de reforçar a umectação das vias aéreas.

O uso de máscaras de proteção (do tipo N95) pode ser eficaz para quem precisa sair de casa, especialmente em áreas mais expostas à poluição. Todavia, exercícios físicos ao ar livre não são recomendados em dias de alto nível de poluição atmosférica.