Glicosímetros imprecisos representam risco para diabéticos
15 de janeiro de 2024
Para os diabéticos, o glicosímetro é um dispositivo importantíssimo, que permite que o próprio paciente assuma o monitoramento das suas taxas diárias de glicose. Basta realizar uma perfuração de milímetros no dedo, com a própria agulha do aparelho, e aplicar uma gota de sangue a uma fita reagente. No entanto, o que deveria ser uma medida simples para o monitoramento da doença acabou por se tornar uma grande preocupação: com a disseminação do uso do aparelho e o consequente aumento em seu volume de produção, algumas marcas passaram a comercializar glicosímetros que revelam resultados imprecisos. Segundo a Coalizão Vozes do Advocacy em Diabetes e Obesidade, é crescente o número de relatos envolvendo respostas inconsistentes fornecidas por aparelhos domésticos e clínicos, o que indica que os pacientes que precisam realizar um monitoramento permanente da glicose podem estar expostos a riscos severos.
O controle de qualidade dos glicosímetros ficou mais complexo com a ampliação do número de marcas disponíveis no mercado. Hoje, no Brasil, existem ao menos 72 marcas de glicosímetros, que são distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), estão à venda em farmácias ou podem até mesmo ser encontrados em sites de vendas online. Para a Coalizão Vozes do Advocacy em Diabetes e Obesidade, a principal dificuldade para que o paciente possa atestar a qualidade dos aparelhos é a falta de taxas de referência padrão, que dependem da sensibilidade de medição de cada aparelho: “A diferença de valores que encontramos entre os glicosímetros é brutal: uma mesma gota de sangue marca quase 200 em um aparelho e em outro fica em 70. Na prática, o paciente não sabe em qual confiar”, afirma Vanessa Pirolo, representante da Coalizão. O grupo é formado por várias associações e concentra suas atividades no acompanhamento de políticas públicas para as pessoas com diabetes.
Em resposta à denúncia das associações, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), agência reguladora responsável pelo controle de eficácia e segurança de dispositivos médicos, solicitou que pacientes com diabetes que descubram modelos de glicosímetros com erros de precisão denunciem essas marcas ao órgão. O objetivo é iniciar uma fiscalização rigorosa sobre as diferentes marcas, visando retirar do mercado as que não sejam confiáveis. Até então, a agência vinha fazendo apenas o controle de documentação das empresas fornecedoras, sem aferir os resultados apresentados por cada aparelho.
Por que a precisão é crucial?
A precisão ao se mensurar a glicose é fundamental para os pacientes diabéticos, na medida em que afeta diretamente as decisões relacionadas à administração de insulina, a ajustes na dieta e outras medidas de controle da diabetes. Se os glicosímetros fornecerem leituras incorretas, os pacientes correm o risco de subestimar ou superestimar seus níveis de glicose, o que pode levar a complicações graves, como quadros de hipoglicemia ou hiperglicemia.
Tendo em vista esse cenário, pacientes diabéticos estão sendo alertados a permanecerem atentos à precisão de seus glicosímetros. Especialistas recomendam uma comparação esporádica entre dados obtidos em casa e as aferições realizadas em farmácias ou consultórios médicos. Caso discrepâncias significativas sejam identificadas, é fundamental reportar imediatamente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), contribuindo para a investigação de possíveis irregularidades nos dispositivos. Já no momento da compra de um novo aparelho, a orientação é buscar por marcas já estabelecidas e recomendadas por profissionais de saúde, o que pode garantir maior confiabilidade nos resultados e uma gestão mais eficaz da diabetes.
Enquanto as associações lutam por mais segurança para todos os diabéticos, uma postura proativa dos pacientes é vital para garantir a segurança e a eficiência dos dispositivos que desempenham um papel essencial em suas vidas diariamente. Por isso, mantenha-se atento: é a sua saúde e a de milhões de pessoas que está em jogo!
