Saúde

Gordura no fígado: um problema silencioso

12 de agosto de 2024

A esteatose hepática, popularmente conhecida como gordura no fígado, é uma condição mais comum do que muitos imaginam e que, infelizmente, permanece negligenciada por grande parte da população. Segundo pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), cerca de 35% dos brasileiros com idade superior aos 35 anos sofrem com o acúmulo de gordura no órgão. Esses dados alarmantes refletem a necessidade de uma maior conscientização sobre o tema, especialmente porque muitos só descobrem a condição em estágios avançados, quando as complicações já podem ser maiores.

Mas como a gordura no fígado se forma e por que é tão perigosa? A esteatose hepática ocorre quando há acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado, muitas vezes decorrente de hábitos alimentares inadequados, do sedentarismo e do consumo excessivo de álcool. O paciente pode apresentar dores no abdômen, cansaço, fraqueza, perda de apetite, barriga inchada e dor de cabeça constante.

Embora, em seus estágios iniciais, a doença nem sempre provoque sintomas perceptíveis, a falta de tratamento pode evoluir para uma inflamação do fígado, quadro conhecido como esteato-hepatite e, eventualmente, para diagnósticos mais graves, como a cirrose ou até mesmo de câncer de fígado, além de causar hemorragias, icterícia e inchaço nos membros inferiores. Por isso, identificar e combater a gordura no fígado é essencial para que sejam evitadas consequências mais severas e se preserve a saúde hepática.

Quais alimentos podem ajudar?

Para aqueles já diagnosticados com esteatose hepática, a perda de peso representa uma das medidas mais eficazes para atenuar o quadro. A prática regular de exercícios físicos também é altamente recomendada. De acordo com a hepatologista e coordenadora da Clínica de Transplante Hepático do Hospital das Clínicas da USP, Débora Terrabuio, perder cerca de 10% do peso corporal após o diagnóstico e controlar fatores metabólicos pode levar a uma melhora significativa da condição. Nesse caso, o foco do paciente não deve se concentrar na musculação, mas sim em exercícios aeróbicos como caminhada, corrida ou natação, práticas que ajudam a queimar gordura em todo o organismo, inclusive no fígado.

Além dos exercícios, a alimentação desempenha um papel crucial na redução da gordura no fígado. Adotar uma dieta balanceada, farta em frutas, legumes, verduras e grãos integrais, é fundamental. Estudos sugerem que a inclusão de alimentos como abacate, azeite de oliva e peixes ricos em ômega-3 pode contribuir para a diminuição da gordura no fígado, já que estimulam a produção do antioxidante glutationa, que ajuda o fígado a eliminar substâncias inflamatórias. Frutas ricas em vitamina C, como limão e laranja, também são bons aliados, ao contribuir para a produção de enzimas que atuam na “limpeza” do fígado. Por outro lado, é muito importante evitar o consumo excessivo de álcool e açúcar, grandes vilões para a boa saúde hepática.

Em resumo: a gordura no fígado é uma condição comum, mas que pode ser revertida com mudanças efetivas no estilo de vida. A busca por um diagnóstico precoce, ao lado da adoção de hábitos saudáveis, é fundamental para preservar a saúde hepática e prevenir complicações mais graves no futuro!