O recente caso de estupro coletivo, envolvendo quatro rapazes maiores de idade e um adolescente de 17 anos contra uma menina, também de 17 anos, em um apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio, reacendeu os debates sobre a violência contra a mulher em nossa sociedade. Neste 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, este é um tema que está na ordem do dia. Mais do que uma simples homenagem, as mulheres merecem o enfrentamento efetivo das mazelas que as atingem.
A violência contra a mulher é o primeiro enfrentamento necessário. Homens matam quatro mulheres por dia no Brasil — muitas vezes a mãe dos próprios filhos. Maridos, namorados e ex-companheiros, por caminhos psicológicos doentios, alimentados pelo machismo estrutural da sociedade, julgam-se no direito de agredir a mulher, ou mesmo assassiná-la. São homens que se julgam "donos" da mulher, como se fossem sua "propriedade", e não conseguem conviver com a rejeição ou "desobediência".
O que esses homens (será que se pode chamá-los assim?) esquecem é que agressão à mulher não é demonstração de força. É pura covardia. A agressão não torna o agressor superior, pelo contrário, demonstra toda sua fraqueza psicológica, mental, humana. O agressor é, sobretudo, um verme covarde. E há homens agressores em todas as classes sociais, dos mais ricos aos mais pobres, o que demonstra que esse comportamento se reproduz a partir de uma cultura extremamente machista que persiste em nossa sociedade, como um todo. Essa constatação exige, não apenas a intervenção das leis e do aparato estatal para reprimir e reduzir as agressões e o feminicídio, mas também a conscientização das mães e dos pais. Já passou da hora de criarmos filhos com uma educação voltada para o respeito integral à mulher, como pessoa e dona do seu destino.
A formação de todos nós começa em casa. O homem que amanhã vai cometer uma violência — e destruir vidas, inclusive a sua própria — é o menino que hoje está dentro de casa. Que semente estamos plantando?