Dengue se agrava no Brasil: SUS vacinará crianças e adolescentes, mas prevenção ainda é essencial
5 de fevereiro de 2024
O Sistema Único de Saúde (SUS) anunciou a disponibilização, a partir de fevereiro, do imunizante Qdenga, que protege contra o vírus da dengue. O Brasil será o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante através do sistema público de saúde, uma importante conquista para toda a população. A vacina foi incorporada oficialmente ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) ainda no final de 2023 e será oferecida de acordo com um plano nacional de distribuição de doses.
Vale destacar que, de acordo com a Anvisa, a Qdenga não é indicada para pessoas com mais de 60 anos, considerando que não foram concluídos os estudos necessários à avaliação da eficácia da vacina nesta faixa etária. Assim, com o avanço da campanha de vacinação, deverão ser vacinados os brasileiros de quatro a 60 anos. No momento, no entanto, devido ao número limitado de doses, a vacinação pelo SUS contemplará inicialmente crianças e adolescentes de 10 a 14 anos de 521 cidades.
Esquema de vacinação em duas doses
A Farmacêutica Takeda, que produz a vacina, informou possuir uma capacidade ainda limitada para a produção de doses. Assim, segundo informações do Ministério da Saúde, o SUS oferecerá inicialmente 6,2 milhões de doses do imunizante, a serem distribuídas ao longo de todo o ano de 2024. A Qdenga é administrada em um esquema de duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações – alcançando, portanto, a imunização de cerca de 3,1 milhões de crianças e adolescentes no primeiro ano de distribuição.
Um diferencial importante é que tanto aqueles que já tiveram dengue, quanto aqueles que nunca foram infectados, podem receber a vacina – a Qdenga é a primeira vacina liberada no Brasil para pessoas que nunca entraram em contato com o vírus da dengue. Não poderão ser imunizados, porém, os pacientes com o sistema imunológico comprometido, os que enfrentam alguma condição imunossupressora, bem como as gestantes e lactantes.
Explosão de casos de dengue
Os casos de dengue têm disparado no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, só em 2024, foram registrados 243.721 casos prováveis da doença, quase quatro vezes o número observado no mesmo período do ano passado (65.336). Segundo a Fiocruz, os casos da doença podem chegar a 5 milhões neste ano, mais do que o triplo do registrado em 2023 (1,6 milhão). Devido ao aumento de casos, a busca pela vacina na rede privada disparou, apesar do preço salgado – a dose custa ao redor de R$ 400, sendo que são necessárias duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.
Vacina do Butantan
Há uma vacina contra a dengue sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan, de São Paulo, que já teve sua eficácia confirmada em artigo publicado no último dia 31/1 na revista científica "New England Journal of Medicine" (NEJM). O estudo demonstrou a eficácia geral de 79,6% do imunizante. A expectativa é que, ainda neste ano, o Instituto busque o pedido de registro do produto à Anvisa. Porém, assim como a Qdenga, a vacina brasileira não foi testada no público acima de 60 anos e, por isso, não é recomendada para essa faixa etária.
“Neste ano, com os dados já publicados, os cientistas devem começar o recrutamento da população mais velha para os ensaios clínicos, obtendo, assim, informações que vão auxiliar na indicação da vacina para a população”, aponta um comunicado do Instituto.
É necessário prevenir
Entidades como o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) afirmam que os impactos da vacinação ainda levarão alguns anos para serem sentidos. Desse modo, as medidas já conhecidas de combate ao mosquito Aedes Aegypti continuam sendo indispensáveis neste verão.
A eliminação de criadouros do mosquito, a exemplo dos recipientes que acumulam água parada, permanece sendo um cuidado essencial para a proteção contra a dengue. É importante realizar vistorias em nossas residências de modo constante, descartando objetos que possam servir de abrigo para os ovos do mosquito. Além disso, a utilização de repelentes, de telas em janelas e portas, assim como o uso de roupas que cubram a maior parte do corpo são práticas eficazes para evitar as temidas picadas do Aedes Aegypti.
