Brasil registra aumento de acidentes com animais peçonhentos

4 de março de 2024

O Brasil tem enfrentado um aumento significativo nos casos de acidentes envolvendo animais peçonhentos, um fenômeno que preocupa, cada vez mais, as autoridades de saúde e a população em geral. No estado de São Paulo, por exemplo, em média oito pessoas foram picadas a cada hora, ao longo do ano de 2023. Os dados são do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), que contabilizou 70.800 acidentes notificados com animais peçonhentos, além da ocorrência de 23 óbitos. Esse alto número de incidentes, muitas vezes fatais ou causadores de sequelas graves, destaca a necessidade urgente da adoção de medidas preventivas e educativas. Os principais protagonistas desses acidentes são os animais peçonhentos já amplamente conhecidos pela população brasileira, como serpentes, aranhas e escorpiões.

Os acidentes envolvendo picadas desses animais são mais pronunciados nos meses mais quentes do ano, quando o clima é propício para que se reproduzam – e é justamente essa característica de reprodução que justifica o aumento no número de casos nos últimos anos. Segundo o Ministério da Saúde, o número crescente de incidentes desta natureza é diretamente influenciado pelas alterações climáticas geradas pelo aquecimento global e pelo desmatamento, já que os dias cada vez mais quentes e chuvosos criam um ambiente favorável para a reprodução de animais peçonhentos que se encontram mais dispersos.

Outro aspecto relevante é a diminuição dos predadores naturais desses animais perigosos, como gatos-do-mato, cachorros-do-mato, gaviões e, em especial, os gambás, que controlam as populações de espécies venenosas e são inofensivos aos humanos. Ao eliminar os seus inimigos naturais, muitas vezes por desconhecimento, o próprio homem acaba contribuindo para que o número desses animais aumente descontroladamente.

Vítimas devem buscar atendimento médico imediato

Em caso de acidentes com animais peçonhentos, o mais importante é buscar atendimento médico imediato. A demora no tratamento pode resultar em complicações graves, tornando a rápida identificação e intervenção médica fundamentais para garantir a recuperação e minimizar os danos à saúde. Antes de procurar ajuda médica, caso seja possível e seguro, é indicado que a vítima acondicione o animal que a feriu em um recipiente ou que, ao menos, o fotografe, de modo a facilitar a pronta identificação, na unidade de saúde, do soro de tratamento adequado para cada caso.

Em ocorrências em que o deslocamento até o médico pode levar um pouco mais de tempo, recomenda-se lavar imediatamente o local da picada com água e sabão – mas é importante frisar que outras medidas, como a aplicação de torniquetes e garrotes, sempre devem ser evitadas. Procedimentos como furar, cortar, queimar, espremer ou fazer sucção na ferida jamais devem ser realizados. Da mesma forma, é desaconselhável aplicar substâncias como folhas, pó de café ou terra sobre as feridas, já que isso pode provocar infecções ainda mais graves.

Medidas de prevenção

Além da urgência no atendimento médico, é a prevenção que desempenha um papel realmente crucial na redução dos danos provocados por esses incidentes. Algumas medidas simples são efetivas para manter os animais peçonhentos afastados, especialmente a manutenção do ambiente doméstico limpo e livre de entulhos. Também é importante utilizar calçados fechados ao caminhar em áreas de risco e se manter atento ao manipular objetos nos locais onde esses animais possam se esconder.

Em áreas rurais, recomenda-se ainda o uso de calçados apropriados e luvas durante as atividades laborativas, bem como a verificação cuidadosa de sapatos, botas, roupas de uso pessoal, de cama e banho antes de utilizá-las. Manter os gramados sempre aparados, assim como evitar o crescimento de plantas trepadeiras e bananeiras em locais próximos às residências são medidas importantes e, nos períodos de maior atividade de serpentes, especialmente ao amanhecer e ao entardecer, é aconselhável evitar a vegetação rasteira, os gramados e jardins.

É fundamental nunca perder de vista que, mesmo em ambiente urbano e na aparente segurança de nossas casas, estamos todos sujeitos a ataques de animais peçonhentos. A atenção é, como sempre, a melhor forma de precaução.