Saúde

Como a solidão afeta o corpo e pode impactar a saúde

23 de março de 2026

Durante muito tempo, a solidão foi considerada apenas como uma experiência de natureza emocional. Hoje, porém, esse sentimento vem sendo cada vez mais estudado a partir de uma perspectiva médica. Pesquisas indicam que o impacto da solidão na saúde é comparável ao de fatores de risco clássicos, como o tabagismo: a falta de conexão social pode causar danos equivalentes a fumar cerca de 15 cigarros por dia, segundo alerta da Comissão de Conexão Social, da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para a instituição, a solidão está associada a doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais (AVC), declínio cognitivo, demência, Alzheimer, diabetes tipo 2, além de quadros de depressão e ansiedade.

Dados globais recentes reforçam a dimensão do problema. Um relatório da OMS sobre conexão social, divulgado em 2025, apontou que cerca de uma em cada seis pessoas no mundo, aproximadamente 16% da população, relata sentir solidão. O documento destaca impactos “significativos na saúde e no bem-estar” e associa a solidão e o isolamento social a mais de 871 mil mortes por ano, o equivalente a cerca de 100 óbitos por hora. Para Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, o fenômeno revela um paradoxo contemporâneo: “Nesta era em que as possibilidades de se conectar são infinitas, cada vez mais pessoas estão se sentindo isoladas e solitárias”, afirmou.

Especialistas explicam que a correlação entre solidão e saúde reside no efeito que esse sentimento produz em nosso organismo. O isolamento prolongado pode ativar respostas de estresse que afetam diferentes sistemas, como o endócrino, o imunológico e o cardiovascular. Esse processo pode desencadear alterações hormonais e inflamatórias associadas a doenças crônicas. Além disso, pesquisas indicam que pessoas socialmente isoladas tendem a adotar mais comportamentos prejudiciais à saúde, como fumar, consumir álcool em excesso, manter uma rotina sedentária ou seguir menos corretamente tratamentos médicos.

O que é a solidão, segundo a medicina

A OMS define conexão social como as diferentes formas pelas quais as pessoas se relacionam e interagem entre si. Dentro desse conceito, especialistas destacam uma diferença importante: solidão não é o mesmo que estar sozinho. O isolamento social é uma condição mais objetiva, caracterizada pela ausência ou insuficiência de contatos ou interações com outras pessoas. Já a solidão é uma experiência subjetiva – uma pessoa pode estar cercada de gente e ainda assim sentir falta de conexão. Em outras palavras, a solidão está mais ligada à sensação de desconexão do que simplesmente à ausência de companhia.

Manter vínculos sociais ativos é uma das formas mais importantes de proteger a saúde ao longo da vida. Mais do que estar cercado de pessoas, o essencial é cultivar relações sólidas e significativas. Conversas frequentes com familiares e amigos, momentos de troca e atividades compartilhadas ajudam a fortalecer o sentimento de conexão. Participar de grupos com interesses em comum – como cursos, exercícios físicos ou ações de voluntariado – também pode contribuir para ampliar os laços sociais.

Vale, ainda, estar atento às pessoas ao nosso redor: sinais de possível desconexão, como evitar conversas profundas, recusar convites com frequência ou perder o interesse por atividades que antes davam prazer, são pontos de alerta. Nesses casos, gestos simples, como uma visita ou um convite para conversar, podem ajudar a recuperar o sentimento de pertencimento.

Todos juntos contra a solidão!