Saúde

Casos de câncer colorretal no Brasil: mais 20% até 2040

7 de abril de 2025

Estudo revela crescimento expressivo da doença e destaca a importância da prevenção.

O câncer colorretal, que afeta o intestino grosso e o reto, é uma das formas da doença mais comuns no Brasil. Recentemente, um estudo da Fundação do Câncer projetou um aumento de 21% nos casos dessa doença nos próximos 15 anos, período em que devem passar dos 45.630 diagnósticos anuais estimados em 2025, para nada menos do que 71.050 em 2040. Esse crescimento preocupa os especialistas, já que representa um impacto significativo sobre a saúde pública, o que reforça a necessidade da adoção imediata de ações de caráter preventivo.

Vale frisar que a pesquisa indica que mais de 88% dos casos previstos até 2040 atingirão pessoas com idade superior aos 50 anos, evidenciando a relação entre a faixa etária e a propensão ao desenvolvimento desse tipo de tumor. Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores analisaram dados dos Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP), do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), além das projeções demográficas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento utilizou informações consolidadas ao longo dos anos para estimar a evolução dos casos e as tendências do câncer colorretal no Brasil.

Causas e prevenção

Segundo os pesquisadores da Fundação do Câncer, que liderou o estudo, o envelhecimento da população brasileira é um dos principais fatores para o aumento dos casos de câncer colorretal - até 2040 teremos muito mais brasileiros na faixa de 50 anos ou mais, o que significa que um maior número de pessoas passará a integrar o grupo mais suscetível ao desenvolvimento do quadro.

Isso acontece porque, com o passar dos anos, as células do organismo passam a sofrer mutações genéticas naturais, o que aumenta o risco de desenvolvimento de tumores malignos. Além disso, a regeneração celular se torna menos eficiente, o que pode facilitar o surgimento de alterações no intestino grosso. Outro ponto relevante é a tendência de que os idosos apresentem um histórico de inflamações intestinais mais recorrentes, seja pelo uso contínuo de medicamentos, seja pelo próprio desgaste do sistema digestivo, o que contribui para o aparecimento da doença.

Além da idade, hábitos pouco saudáveis, como uma alimentação inadequada, o sedentarismo e o tabagismo, constituem importantes fatores de risco. O consumo excessivo de carne vermelha e de ultraprocessados, por exemplo, está associado ao desenvolvimento de tumores no trato intestinal. A carência de fibras na dieta também dificulta o trânsito intestinal e aumenta o contato de substâncias nocivas com a mucosa do intestino, favorecendo as mutações celulares.

A importância da prevenção

O principal caminho para combater o câncer colorretal é o da prevenção. Recomenda-se que, a partir dos 50 anos, mesmo diante da ausência de qualquer sintoma, todos busquem avaliação com um gastroenterologista ou proctologista, por meio da realização de exames preventivos. No entanto, caso a pessoa já apresente sangramento nas fezes, mudanças inexplicáveis no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre frequente), perda de peso inexplicável ou dor abdominal persistente, a busca por um especialista deve ocorrer imediatamente, independentemente da idade. Quanto mais cedo a doença for detectada, maiores serão as chances de um tratamento eficaz.

Mantenha-se sempre atento! Realizar exames regularmente e contar com acompanhamento médico é a única forma de manter sob controle o risco de problemas sérios, como o câncer colorretal. Diante da presença de qualquer dos sintomas acima descritos, não perca tempo: o diagnóstico precoce preserva vidas!