Como a obesidade e o sedentarismo podem dificultar o diagnóstico de outras doenças
1º de julho de 2024
Assim como em muitos países, no Brasil a obesidade também representa um problema de saúde pública crescente, que afeta aproximadamente um em cada quatro adultos do país, segundo dados do Ministério da Saúde. A pasta estima que, até 2035, 41% dos brasileiros serão obesos. Este aumento está associado a hábitos alimentares inadequados e a um estilo de vida marcado pelo sedentarismo, fatores que contribuem para o desenvolvimento de comorbidades sérias como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. Além desses impactos diretos, tão bem conhecidos, a obesidade também pode atrapalhar o diagnóstico de outras doenças, muitas vezes mascarando sintomas e levando a equívocos médicos.
Segundo o endocrinologista Bruno Halpern, que compartilha informações médicas em suas redes sociais, profissionais de saúde podem enfrentar dificuldades para diagnosticar corretamente condições como insuficiência pulmonar em pacientes obesos. A falta de condicionamento físico, associada à obesidade, é erroneamente interpretada como a causa de sintomas respiratórios em alguns casos – o que pode atrasar o diagnóstico adequado e comprometer a eficácia do tratamento indicado. Esse fenômeno não apenas impacta a saúde individual dos pacientes, mas também coloca em foco o fato de que eventuais preconceitos por parte dos médicos podem influenciar negativamente decisões de natureza clínica.
“Essas doenças muitas vezes têm a falta de ar como principal sintoma, e se um paciente sem excesso de peso se queixa disso, prontamente será investigado. Mas isso nem sempre ocorre na obesidade, em que muitas vezes sintomas são atribuídos ao excesso de peso, ao sedentarismo ou não se dando a devida importância para esses sintomas”, explica o doutor Bruno em postagem baseada nos dados de uma pesquisa americana divulgada na revista científica "Respirology".
Obesidade não é sinônimo de sedentarismo
Embora pacientes obesos sejam estigmatizados como pessoas de resistência física reduzida, a obesidade não necessariamente está associada ao sedentarismo e, ainda que não venha a resultar em grande perda de peso, a atividade física regular invariavelmente contribui para a redução do risco de doenças comumente associadas à obesidade, melhorando a capacidade funcional e incrementando a qualidade de vida em geral. E o que é ainda mais interessante: qualquer tipo de atividade que envolva movimentação física já colabora substancialmente para a conquista de uma vida com mais saúde.
Exemplo dessa afirmação, um estudo americano baseado na análise de 175 mil voluntários mostrou que mesmo um acréscimo modesto nas caminhadas, de apenas mais 1000 passos diários, está associado a uma redução de 12% no risco de mortalidade para pessoas sedentárias. Já o alcance da famosa meta de 10 mil passos diários pode diminuir esse risco em até 56%, o que evidencia os benefícios significativos de uma abordagem que leve em conta a prática de exercícios como fundamental para a saúde.
Assim, resta comprovado que lidar com os desafios complexos trazidos pela obesidade vai realmente muito além do controle de peso. É essencial ampliar a conscientização sobre seus impactos na saúde pública e promover uma abordagem mais inclusiva no diagnóstico e tratamento de doenças em pacientes obesos. Incentivar práticas de saúde que reconheçam a diversidade de experiências e necessidades é fundamental para melhorar os resultados relacionados à saúde e garantir um cuidado equitativo, que realmente contemple todas as pessoas.
