Criminosos “clonam” pessoas e simulam vídeos em nova modalidade de golpe virtual
8 de abril de 2024
O cenário tecnológico contemporâneo faz com que novos golpes digitais surjam a cada dia. Entre tantas modalidades de fraude, tem gerado crescente preocupação a disseminação de ’deepfakes’, uma técnica baseada na utilização de inteligência artificial que cria vídeos falsos, mas extremamente convincentes. Estes vídeos são capazes de utilizar o seu rosto, em movimento, falando com alguém como se realmente fosse você.
Para entender o termo, é importante conhecer a sua origem. “Deepfake" é resultado da junção de duas expressões em inglês: "deep learning" (aprendizado profundo) e "fake" (falso). A palavra se refere à produção de vídeos falsificados que utilizam algoritmos de aprendizado profundo para substituir o rosto ou a voz de uma pessoa por outra, resultando em materiais que transmitem uma forte ilusão de autenticidade.
Essa tecnologia, bastante avançada, tem sido cada vez mais explorada por criminosos para perpetrar crimes virtuais. Recentemente, um relatório da empresa de verificação de identidade Onfido revelou que houve um aumento de 3.000% no registro desse tipo de golpe em 2023 em relação aos casos registrados no ano anterior. Esse crescimento explosivo é atribuído à disseminação de tecnologias de inteligência artificial.
Cuidado com as redes sociais
Para criar os vídeos falsos, os fraudadores geralmente coletam imagens, áudios e vídeos da pessoa que desejam imitar e, em seguida, utilizam esses dados para “treinar” o algoritmo a replicar seus movimentos faciais e expressões. Uma vez treinado, o algoritmo pode criar vídeos falsos altamente realísticos e, por isso, muito difíceis de se distinguir. Um exemplo marcante dos perigos dessa nova tecnologia aconteceu em Hong Kong, onde o funcionário de uma multinacional transferiu a impressionante quantia de US$ 25 milhões após ser ludibriado por um deepfake altamente convincente, que simulava a presença do diretor financeiro da empresa em uma videoconferência.
No Brasil, golpes envolvendo deepfake têm se espalhado, em especial, por meio das redes sociais, e envolvem pedidos de depósito de dinheiro e ofertas de “oportunidades de investimento” que levam, na verdade, a “pirâmides financeiras” e a outros golpes. Muitas vezes, os criminosos têm acesso às expressões faciais da vítima por meio da invasão de seus perfis e do uso de fotos e vídeos ali publicados. A partir daí, são produzidos vídeos falsos que podem ser postados através da própria conta hackeada, se passando pela pessoa “clonada”. Em outros casos documentados, os golpistas abordam as vítimas alegando que elas foram agraciadas com prêmios em dinheiro que podem ser resgatados mediante o envio de um vídeo em que a vítima reproduz frases específicas, indicadas pelos criminosos – a partir dessas imagens, os criminosos também são capazes de desenvolver deepfakes com grande precisão.
Como se proteger
Diante desse quadro, torna-se crucial utilizar algumas dicas que ajudam a identificar vídeos produzidos com inteligência artificial e, assim, evitar golpes:
Não deixe seu perfil público nas redes sociais. Procure deixá-lo privado ou com publicações que possam ser vistas só pelos seus conhecidos;
Examine a qualidade do vídeo: deepfakes frequentemente apresentam distorções visuais ou artefatos ao redor das bordas do rosto;
Analise a sincronização de áudio e vídeo: em deepfakes mal produzidos, pode haver discrepâncias entre o áudio e os movimentos labiais no vídeo;
Verifique o contexto: confirme se o conteúdo do vídeo realmente guarda relação com a situação retratada e com o histórico da pessoa envolvida. Na dúvida, faça uma chamada para o telefone da pessoa ou tente encontrá-la pessoalmente;
Confirme a fonte: sempre que possível, verifique a origem dos vídeos que recebe e busque confirmar a sua autenticidade por fontes confiáveis. Além dos golpes financeiros, os deepfakes também são muito utilizados contra políticos e outras figuras públicas;
Consulte especialistas em tecnologia: caso haja dúvidas sobre a veracidade de um vídeo, buscar a opinião de especialistas em tecnologia pode ser o mais indicado.
A detecção de deepfakes é um desafio permanente, na medida em que os algoritmos por trás dessas tecnologias se tornam progressivamente mais sofisticados.
O fundamental mesmo é permanecer sempre vigilante e jamais negligenciar a adoção de medidas de proteção contra os possíveis, e cada vez mais comuns, golpes virtuais.
