Saúde
Voz mais fraca ou rouca pode ser consequência do envelhecimento
26 de outubro de 2026
Com a chegada da terceira idade, muitas pessoas percebem suas vozes mais roucas, fracas ou trêmulas, enquanto outras sentem cansaço depois de manter uma conversa por muito tempo ou dificuldade para serem ouvidas em ambientes movimentados. O que muita gente desconhece é que essas mudanças, naturais do processo de envelhecimento do organismo humano, têm uma explicação científica e um nome técnico: presbifonia. Trata-se de uma transformação natural da voz, que não representa, por si só, uma doença, mas que pode ser atenuada com a adoção de cuidados e exercícios específicos.
A presbifonia está relacionada ao envelhecimento das estruturas responsáveis pela produção vocal, principalmente a laringe, onde ficam as pregas vocais, popularmente conhecidas como “cordas vocais". Acontece que, com o passar dos anos, a musculatura dessa região tende a perder força e elasticidade. Com isso, as pregas vocais vão ficando menos espessas e perdem eficiência na produção dos sons da fala. A voz passa, então, a perder intensidade, apresentar falhas ou ganhar um aspecto soproso, como se houvesse ar escapando durante a fala.
Essas alterações podem começar a se manifestar após os 50 ou 60 anos e se tornam mais perceptíveis com o avanço da idade, especialmente por volta dos 65 anos. Além da rouquidão e da redução do volume, sinais de avanço no processo de presbifonia incluem tremor na voz, dificuldade para sustentar frases longas, menor variação da entonação, além de esforço para falar.
Vale destacar, porém, que a presbifonia não acontece da mesma forma para todos. A saúde geral, o histórico de doenças, os hábitos de vida e a maneira como cada pessoa utiliza a voz influenciam o ritmo e a intensidade das mudanças. Quem passou muitos anos falando por períodos prolongados, por exemplo, pode apresentar necessidades diferentes das de quem utiliza a voz com menos frequência. Problemas como refluxo, tabagismo e outras condições que afetam a laringe também podem contribuir para o surgimento de alterações vocais.
Tratamento pode ajudar a preservar a voz
Apesar de ser uma consequência natural do envelhecimento, a presbifonia pode interferir na rotina e na convivência social. Pessoas que dependem da voz para trabalhar, como professores ou comerciantes, podem sentir mais dificuldade para manter a comunicação. Além disso, falar com esforço ou não conseguir ser compreendido pode levar alguém a evitar conversas e a se isolar – comportamento cientificamente identificado como gatilho para quadros de depressão e até mesmo de demência (veja matéria sobre os efeitos do isolamento aqui => https://www.aspas.org.br/Como-a-solidao-afeta-o-corpo-e-pode-impactar-a-saude). Por isso, mudanças na voz que prejudicam a comunicação merecem avaliação profissional.
A boa notícia é que existem tratamentos para melhorar o desempenho vocal. A fonoterapia, conduzida por um fonoaudiólogo, utiliza exercícios específicos para trabalhar a respiração, a coordenação entre o ar e a fala, a projeção e a resistência da voz. O objetivo é aproveitar melhor a musculatura envolvida na produção dos sons, reduzindo o esforço ao falar – uma espécie de “musculação da voz”.
O otorrinolaringologista também desempenha papel importante, pois pode examinar a laringe e investigar se a rouquidão ou a fraqueza vocal estão relacionadas apenas ao envelhecimento ou a outra condição que exija tratamento diferenciado. Manter a hidratação, evitar gritar, não forçar a voz em ambientes barulhentos e fazer pausas durante conversas prolongadas também são medidas que ajudam a preservar a saúde vocal.
Envelhecer não significa perder a voz. Com os cuidados adequados, é possível continuar se expressando com clareza e confiança!
